A construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica conta com uma plataforma de apoio erguida sobre o mar, aplicada pela primeira vez em uma obra no Brasil. A estrutura vai se estender por medida próxima ao comprimento total da ponte, funcionando como uma espécie de canteiro flutuante ao longo da Baía de Todos-os-Santos.
A base serve para o deslocamento de trabalhadores, máquinas e materiais entre as frentes de serviço, sem depender do tráfego constante de barcos. O projeto ainda prevê a instalação de uma central de concreto diretamente sobre a plataforma, concentrando etapas da produção no próprio mar.
Segundo a concessionária responsável pela obra, o uso dessa estrutura deve reduzir em 70% a necessidade de embarcações de apoio durante todo o cronograma de construção. A tecnologia é a mesma empregada em grandes empreendimentos na China, onde os mesmos acionistas da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica já constroem duas pontes com plataforma semelhante: a Ponte Ferroviária Transmarítima da Baía de Hangzhou e a Ponte Rodoviária de Liuheng.
Em nota divulgada pela concessionária, o gerente de Relações Institucionais e porta-voz da empresa, Carlos Prates, afirma que o projeto está "incorporando ao Brasil métodos construtivos e soluções de engenharia" já testados em grandes obras internacionais.
Apesar da presença da plataforma, os responsáveis pela obra garantem que a rota principal usada por navios na Baía de Todos-os-Santos continuará livre enquanto os trabalhos avançam, com 400 metros de largura e 85 metros de altura livre. A medida garante a passagem de navios de grande porte, como cargueiros e embarcações de cruzeiro.
Pontos de passagem específicos também foram reservados para embarcações de pesca artesanal, garantindo que pescadores da região continuem navegando sem restrições durante o período de construção.
Ao final da obra, a plataforma será desmontada e os materiais reaproveitados, conforme o planejamento da concessionária. O sistema completo faz parte do Novo Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica, que soma 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, investimento total de R$ 11,6 bilhões e previsão de conclusão em 2031.
O escopo do projeto ainda prevê a construção de novas vias de acesso na capital baiana e de uma via expressa com 22 quilômetros de extensão em Itaparica, conectando a travessia marítima às rodovias que já servem a região.







