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Política

Pente-fino exclui familiares de mais de 200 vereadores na Bahia

Cruzamento do CadÚnico com folhas de pagamento em 2025 excluiu familiares de mais de 200 vereadores na Bahia dos programas Bolsa Família e Auxílio Gás.

Redação ChicoSabeTudo
16 de outubro, 2025 · 00:21 2 min de leitura
Foto Ilustrativa: Reprodução / Câmara dos Vereadores de Cachoeira
Foto Ilustrativa: Reprodução / Câmara dos Vereadores de Cachoeira

Um levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), feito em 2025, mostra um recorte que chama atenção: familiares de mais de 200 vereadores na Bahia foram excluídos de programas sociais federais — entre eles o Bolsa Família e o Auxílio Gás — depois do cruzamento do Cadastro Único (CadÚnico) com folhas de pagamento públicas, dentro do pente‑fino nacional iniciado naquele ano.

O tamanho do ajuste

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O pente‑fino, em todo o país, resultou na exclusão de mais de 1,2 milhão de famílias. Na Bahia, foram cancelados mais de 85 mil registros, o que colocou o estado em segundo lugar entre as unidades da federação, atrás apenas de São Paulo.

Quem aparecia nos cadastros

Os dados mostram que os beneficiários removidos eram, em grande parte, parentes: cônjuges, filhos, pais e irmãos — com predominância de cônjuges entre os responsáveis pelos recebimentos. Em pelo menos 50 situações houve sobreposição de benefícios: o mesmo nome figurou nas listas do Bolsa Família e do Auxílio Gás dentro do mesmo núcleo familiar. Como isso acontece em municípios menores?

O levantamento, obtido pela plataforma Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), registrou ocorrências em mais de 150 municípios, de localidades bem pequenas a centros maiores. Entre os municípios citados pelo relatório estão:

  • Catolândia
  • Cordeiros
  • Boninal
  • Muquém de São Francisco
  • Cachoeira
  • Guanambi
  • Madre de Deus
  • Cabaceiras do Paraguaçu

Exemplos apontados

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O relatório traz casos identificados nos cruzamentos. Entre eles: o irmão do vereador Fernando Gomes de Sena (MDB), de Cabaceiras do Paraguaçu, que consta como beneficiário tanto do Bolsa Família quanto do Auxílio Gás; o vereador Marcelo Conceição Castro (PT), de Boquira, que teve dois familiares registrados no CadÚnico; o vereador Marisvaldo Silva de Souza (União), de Caldeirão Grande, com mãe ou pai recebendo benefícios; e os vereadores Warlem de Almeida Silva (PSD), de Itabela, e José Santana Costa (MDB), de Lagoa Real, cujos cônjuges e filhos apareceram cadastrados no Auxílio Gás.

O relatório também cruzou filiações partidárias e apontou maior número de casos em alguns partidos: PSD (25 eleitos), Avante (24), PT (14), União Brasil (14), PP (12) e MDB (12).

Onde os casos se concentraram

A análise indica que a maioria das ocorrências se concentrou em municípios com até 20 mil habitantes — ambientes onde vínculos familiares entre agentes públicos e beneficiários costumam ser mais visíveis e onde o controle social e o acompanhamento das equipes do CadÚnico foram apontados como mais limitados. O boletim citou a elaboração de um gráfico pelo BN para ilustrar essa distribuição.

E o que vem depois?

O pente‑fino seguiu em curso: o MDS manteve as revisões do CadÚnico por meio de novos cruzamentos com folhas de pagamento, e as listas completas de vereadores que tiveram familiares excluídos do Bolsa Família e do Auxílio Gás foram divulgadas pelos órgãos responsáveis.

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