O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) abriu procedimento administrativo para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo a Federação Alagoana de Futebol (FAF) e dois institutos privados a ela vinculados. O caso ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira (22), após o jornal Estadão publicar reportagem sobre a investigação, citando o nome de Gustavo Feijó, atual diretor de futebol masculino da CBF e ex-presidente da entidade alagoana.
O MP-AL passou a cobrar explicações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após reportagem do jornalista Lúcio de Castro, publicada no dia 29 de abril. O procedimento administrativo foi instaurado no dia 18 de maio. Entre os questionamentos, o órgão deseja saber se a CBF possui conhecimento da utilização de recursos privados em atividades relacionadas à FAF, e se a entidade exerce algum tipo de fiscalização ou acompanhamento financeiro das federações filiadas.
No centro da questão está Felipe de Omena Feijó, de 35 anos, presidente da FAF desde os 23 — quando se tornou o mais jovem presidente das federações estaduais. Ele é filho de Gustavo Feijó, que foi o mandatário anterior da FAF entre 2008 e 2015. Feijó pai, que já foi um dos vice-presidentes da CBF nas gestões de Rogério Caboclo e Marco Polo del Nero, hoje ocupa o cargo de diretor de futebol masculino da entidade.
Felipe criou, em 2017, o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP), entidade privada que tem a própria federação como sócia instituidora e mantenedora. O estatuto do IFPP prevê, entre seus objetivos, "gerenciar e receber recursos em nome da sócia instituidora". Em 2022, Felipe Feijó também criou o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP), conhecido como Instituto Nossa Senhora das Graças, que em 2024 se desvinculou da Federação Alagoana de Futebol.
Além dos repasses anuais da CBF — que em 2024 somaram R$ 2,18 milhões —, somente das emendas parlamentares concedidas por deputados estaduais de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, foram empenhados R$ 6,3 milhões no ano passado, de acordo com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. Ao mesmo tempo, a FAF acumula dívida ativa na Fazenda que ultrapassa R$ 6,2 milhões.
Em caso semelhante no Maranhão, o Ministério Público daquele estado apontou que a utilização de um instituto para movimentar recursos de uma federação representaria "falta de transparência, fraude, desvio de finalidade, confusão patrimonial, governança temerária e prestação de contas deficiente", classificando a entidade como uma "conta de passagem" e uma "estrutura artificial destinada a contornar controles financeiros e jurídicos".
Ao Estadão, Gustavo Feijó negou envolvimento com a gestão atual da FAF. "Não tenho qualquer relação com a federação desde que deixei a presidência. Meu filho preside", disse o dirigente, segundo a reportagem do jornal paulista. Em nota, a FAF afirmou que o IFPP é uma entidade civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, criada para apoiar projetos esportivos e sociais ligados ao futebol, e que a atuação entre as duas entidades é "conjunta, coordenada e complementar".
O MP quer saber ainda se houve repasses financeiros, convênios ou qualquer forma de apoio financeiro da CBF à FAF ou aos institutos nos últimos cinco anos, e se a CBF possui normas internas de governança e programas de integridade aplicáveis às federações estaduais filiadas. O prazo para que CBF e FAF respondam às notificações é de 20 dias, segundo informações divulgadas pela fonte original.







