O governo federal anunciou um pacote bilionário de investimentos para revitalizar bacias hidrográficas em todo o país. Da fatia reservada ao Rio São Francisco e ao Parnaíba, até R$ 114 milhões devem chegar à Bahia, com foco em seis regiões hidrográficas que sofrem com seca, assoreamento e escassez de água no semiárido.
O pacote integra o Eixo Água Para Todos, dentro da carteira do Novo PAC, e soma mais de R$ 1 bilhão para obras de revitalização de bacias hidrográficas em diferentes estados. São 60 empreendimentos no total: 12 deles, no valor de R$ 409 milhões, voltados para as bacias dos rios São Francisco e Parnaíba; outros 48, no valor de R$ 634,7 milhões, na área de influência das usinas hidrelétricas de Furnas.
Embora o valor total seja para várias bacias no país, as ações nos municípios baianos têm um aporte estimado de até R$ 114 milhões. A Bahia é contemplada com obras em Angical, Barreiras, Itaguaçu da Bahia, Juazeiro, Riachão das Neves e Sobradinho. As ações abrangem as bacias do Rio Grande, dos rios Paramirim e Santo Onofre, do Rio Corrente, dos rios Verde e Jacaré, do Rio Salitre e do entorno do Lago de Sobradinho, segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde.
Os investimentos incluem recuperação de nascentes, revitalização de rios, monitoramento hídrico, recuperação de áreas degradadas e implantação de quintais produtivos em assentamentos rurais. Os projetos nordestinos incluem também a implantação de porto público em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), além de recuperação de nascentes e pastagens.
Os recursos são provenientes do Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas, criado após a desestatização da Eletrobras, atual Axia Energia. Desde 2023, já foram aprovadas 250 ações nessas bacias hidrográficas, com valor total de R$ 5,2 bilhões.
O anúncio acontece em meio a um quadro de deterioração hídrica no semiárido baiano. Dados do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), apontam recorrência de estiagens em diferentes regiões do estado nos últimos anos, enquanto levantamentos ambientais indicam avanço do assoreamento, degradação de nascentes e redução da disponibilidade hídrica em áreas ligadas à bacia do São Francisco.
Na bacia do São Francisco, há salinização dos solos pela irrigação, destruição de quase todas as matas ciliares, processos erosivos nas suas margens, degradação e desertificação, assoreamento dos rios e desaparecimento de espécies da biodiversidade. Pesquisa do IF Baiano aponta, inclusive, processo de desertificação na região do médio curso do rio Salitre, um dos afluentes do Rio São Francisco — um dos rios que agora terá bacias atendidas pelo novo pacote.
No norte do estado, a expectativa é que as ações previstas para as bacias do Rio Salitre e do entorno do Lago de Sobradinho contribuam para ampliar a capacidade de adaptação das comunidades locais. "Os municípios do semiárido convivem há décadas com períodos de estiagem cada vez mais intensos e irregulares. Quando se fala em revitalização de bacias, estamos falando também de abastecimento humano, permanência das famílias no campo e redução da vulnerabilidade social em regiões que dependem diretamente da água para sobreviver", observa Almacks Carneiro, presidente do CBH Salitre.
Já nas regiões ligadas às bacias dos rios Verde e Jacaré, a recuperação ecológica pode ajudar a reduzir processos de assoreamento e melhorar a qualidade da água em áreas historicamente pressionadas pelo desmatamento e pelo uso intensivo do solo.
Sem cronograma detalhado divulgado até o momento, os projetos devem avançar em frentes ligadas à recuperação ambiental, adaptação climática e segurança hídrica em regiões que concentram atividades agrícolas e dependem diretamente das bacias ligadas ao Rio São Francisco.







