A política eleitoral de 2026 no Nordeste ganha um novo nó. João Henrique Caldas, o JHC, pré-candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB, tenta construir com o PL alagoano o mesmo tipo de acordo que Ciro Gomes firmou com o PL do Ceará: apoio estadual sem compromisso com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O problema é que o partido não aceita as mesmas condições nos dois estados.
O PL do Ceará declarou apoio à candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado, ignorando a posição contrária da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que interrompeu as negociações no ano passado e passou a criticar o tucano nas redes sociais. Mesmo assim, o acordo foi selado. A aliança do PL com o PSDB no estado deve emplacar o nome do pai de André Fernandes, o deputado estadual Alcides Fernandes, para disputar uma vaga ao Senado na chapa de Ciro Gomes.
Ciro ainda tenta preservar uma espécie de neutralidade nacional. Em entrevista a uma emissora de rádio cearense, segundo informações divulgadas pelo Cadaminuto, ele afirmou ser "uma mentira" a versão de que apoiaria Flávio Bolsonaro à presidência. O ex-ministro petista disse que o PL entrou em entendimento com sua campanha "ao redor de uma agenda no Ceará", sem nenhum acerto de política nacional.
É exatamente esse modelo que JHC quer reproduzir em Alagoas. João Henrique Caldas é um dos nomes mais citados para disputar o governo de Alagoas em 2026 e desafiar Renan Filho, atual ministro dos Transportes. JHC deixou a Prefeitura de Maceió recentemente para disputar o governo do estado, o que intensificou as negociações políticas e alianças partidárias.
O entrave, porém, é claro. O eventual apoio do PL ao ex-prefeito de Maceió dependerá da disposição dele em garantir palanque para Flávio Bolsonaro. Ao contrário do que acontece no Ceará, o partido alagoano não abre mão da contrapartida nacional. Existe uma ideia de apoiar JHC, mas o palanque de Flávio Bolsonaro exige mais no estado com a única capital do Nordeste que deu maioria de votos a Jair Bolsonaro em duas eleições presidenciais.
Quem dá o tom dessa exigência em Alagoas é o deputado Alfredo Gaspar. Com a filiação abonada pelo senador Flávio Bolsonaro, Gaspar deixou o União Brasil para integrar o PL e atuar na construção do palanque bolsonarista em Alagoas, após o diretório nacional do partido destituir JHC do comando estadual da sigla. Segundo informações divulgadas pelo Cadaminuto, Gaspar já enviou o recado: sem declaração de voto em Flávio, não há acordo.
JHC, identificado como PSDB-AL, anunciou a reaproximação com Ronaldo Lessa (PDT-AL), vice-governador do estado, na madrugada de 23 de abril por meio de publicação nas redes sociais. Lideranças do PL envolvidas nas tratativas descartam qualquer possibilidade de aliança com JHC, argumentando que ele passou a atrair figuras de centro-esquerda, como Lessa e o ex-deputado Régis Cavalcante, associados ao campo político que deve apoiar o presidente Lula na disputa nacional.
O cenário político em Alagoas ficou ainda mais fragmentado. De um lado, JHC tenta montar uma frente ampla, de centro a esquerda, como chapa alternativa ao grupo de Renan Filho. De outro, o PL articula sua própria candidatura ao governo, com Alfredo Gaspar como nome forte. JHC também é pressionado a definir as composições de palanque, das chapas majoritária e proporcional e das alianças políticas no estado. A pergunta que paira sobre a política alagoana é se JHC conseguirá montar uma vitória eleitoral sem a extrema direita — ou se vai acabar cedendo às exigências do PL.







