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Ilhéus rompe vínculos com empresas investigadas por fraude na alimentação de estudantes da rede pública

Decreto municipal suspende por 90 dias os contratos com duas fornecedoras alvo da Operação Merenda Digna, que apura sobrepreço de R$ 1,7 mi em contrato de R$ 15,5 milhões.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
11 de junho, 2026 · 12:44 3 min de leitura
Viaturas da Polícia Federal durante a Operação Merenda Digna em Ilhéus, Bahia
Viaturas da Polícia Federal durante a Operação Merenda Digna em Ilhéus, Bahia

O prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior (União Brasil), assinou um decreto publicado na edição desta quarta-feira (10) do Diário Oficial do Município que suspende, por prazo inicial de 90 dias, os vínculos contratuais com as empresas R. Silva Santiago e Dois Braços Empreendimentos Alimentícios. As duas são alvo de investigação federal por suspeita de irregularidades no fornecimento de merenda escolar à rede pública municipal.

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Segundo informações divulgadas pela fonte, a suspensão alcança todas as obrigações financeiras pendentes, vencidas ou a vencer durante o período determinado. A medida é uma resposta direta à Operação Merenda Digna, deflagrada pela Polícia Federal no mês passado.

A PF, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), lançou a Operação Merenda Digna para investigar possíveis irregularidades no uso de recursos destinados à alimentação de estudantes nas escolas públicas de Ilhéus. A operação teve origem após investigações iniciadas em 2025, para apurar supostas irregularidades na contratação emergencial de fornecimento de alimentos destinados à merenda escolar, no montante aproximado de R$ 15,5 milhões.

A investigação revela suspeitas de direcionamento da contratação, conluio entre as empresas participantes, além de relevante sobrepreço na contratação, estimado em mais de R$ 1,7 milhão. O que mais chama a atenção é que os produtos eram comprados por valores mais altos do que os praticados em qualquer supermercado no varejo — o que desafia a lógica, já que compras em grande escala deveriam ser muito mais baratas.

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No total, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em órgãos públicos, endereços de servidores públicos e empresários, bem como nas sedes das empresas investigadas, nas cidades baianas de Ilhéus, Itagimirim, Camaçari e Lauro de Freitas. A decisão que autorizou o cumprimento dos mandados foi deferida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Ilhéus, após representação da Polícia Federal e parecer favorável do Ministério Público da Bahia.

Os investigados poderão responder pelos crimes de contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo do processo licitatório, associação criminosa, corrupção passiva e corrupção ativa.

Durante as buscas, a PF prendeu o empresário Robson Santiago, sócio da R. Silva Santiago, após encontrar uma arma de fogo em sua residência em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O empresário Robson Santiago foi alvo da Polícia Federal durante a Operação Merenda Digna em Camaçari. Segundo informações divulgadas pela fonte, ele não possuía registro nem autorização de porte da arma localizada durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão.

A alimentação escolar é financiada parcialmente por recursos federais vinculados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), considerado uma das principais políticas públicas de segurança alimentar voltadas a estudantes da rede pública. O valor suspeito de sobrepreço é mais que o dobro dos R$ 731,5 mil recebidos pelo município no primeiro semestre de 2026.

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) também deu início a uma apuração para investigar possíveis irregularidades no contrato emergencial da Prefeitura de Ilhéus destinado ao fornecimento de merenda escolar. A representação, que envolve o montante de R$ 15,5 milhões, atinge diretamente o prefeito, a secretária de Educação, Evani Cavalcante de Souza Rocha, e a fiscal de contrato, Silvoneide Amaro dos Santos de Almeida.

Em nota, a Prefeitura de Ilhéus defendeu a regularidade das contratações, afirmando que os valores respeitaram pesquisa de mercado e os critérios legais vigentes. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam em andamento e novas medidas podem ser adotadas conforme o avanço da análise dos materiais apreendidos durante a operação.

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