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Política

Governo da Bahia reserva 25% da verba do São João para forró tradicional e quer bater recordes em 2026

Com quase R$ 147 milhões investidos via Sufotur, estado exige que ao menos um quarto dos recursos para atrações artísticas vá para xaxado, baião, xote e forró pé-de-serra nos 416 municípios participantes.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
17 de maio, 2026 · 11:17 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O Governo da Bahia traçou uma estratégia clara para o São João 2026: menos espaço para cachês astronômicos e mais forró de raiz nos palcos. Pelo menos 25% dos recursos destinados às apresentações artísticas deverão ser aplicados na contratação de artistas do autêntico forró, com ênfase no xaxado, baião, xote e no forró pé-de-serra. A diretriz vale para todos os municípios que receberem apoio estadual.

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A medida integra os investimentos para os festejos juninos de 2026, que terão quase R$ 147 milhões aplicados por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur). O recurso poderá contemplar até 416 municípios baianos em diferentes territórios do estado.

"A determinação do governador Jerônimo Rodrigues é o de valorizar os nossos artistas do forró e a nossa cultura junina, que é a grande festa do interior da Bahia, mas com transparência e responsabilidade", afirmou Gustavo Stelitano, superintendente da Sufotur.

O edital de Seleção Pública para as festas juninas de Santo Antônio, São João e São Pedro prevê aportes que variam de R$ 98 mil a R$ 631 mil por município, compreendendo os festejos entre 5 de junho e 3 de julho de 2026. De acordo com o governo estadual, critérios como tradição junina, potencial turístico e valorização cultural serão considerados na seleção dos municípios participantes.

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No centro das discussões sobre a aplicação dos recursos esteve o aperfeiçoamento do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, ferramenta criada pelo Ministério Público que reúne informações detalhadas sobre os gastos com o São João em diferentes cidades da Bahia — um instrumento de controle social que permite a cidadãos, órgãos de fiscalização e imprensa acompanhar dados como investimentos públicos, contratação de artistas e distribuição de recursos.

Para divulgar os festejos ao restante do país, a Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA) realizou um roadshow nacional. A Setur-BA realizou roadshows em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte para promover o São João da Bahia 2026, reunindo operadores e agentes de turismo e oferecendo capacitação sobre destinos e festejos juninos. No Rio de Janeiro, o evento aconteceu no Clube de Aeronáutica, com 120 representantes de operadoras e agências; em Brasília, 130 profissionais do turismo participaram da ação no restaurante Nau.

A aposta na tradição vem acompanhada de números expressivos. A Bahia se prepara para viver um novo recorde com as festas juninas: depois de atrair 1,8 milhão de visitantes em 2025 e movimentar R$ 2,3 bilhões na economia, o estado aposta que este ano o São João será ainda maior, consolidando-se como um dos maiores eventos turísticos do Nordeste.

Com destinos como Lençóis, Mucugê, Amargosa, Cruz das Almas e Jequié com 100% de ocupação hoteleira no último festejo junino, e Santo Antônio de Jesus e Feira de Santana chegando a 90%, o clima é de grande expectativa para o São João da Bahia 2026.

"Esse movimento da Secretaria de Turismo para descentralizar o São João dos principais corredores tradicionais, oferecendo novas opções ao consumidor final, tem feito o São João da Bahia crescer ainda mais, inclusive em Salvador", afirma o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-BA), Rogério Ribeiro.

Para artistas ligados ao forró de raiz, a iniciativa chega como um reconhecimento de longa data. O cantor Del Feliz, que integra o comitê do Fórum Nacional do Forró de Raiz, ressaltou que a cultura deve se renovar, mas a tradição precisa ser mantida: "o novo sempre vem, a cultura não é estática, ela está sempre se reinventando e se moldando. Porém é muito importante que a gente preserve aquilo que nos identifica, que é identidade, e o forró é identidade."

Além da relevância cultural, os festejos juninos representam um dos períodos de maior movimentação econômica no interior baiano, impulsionando setores como turismo, hotelaria, transporte, comércio informal, alimentação e produção cultural, além de fortalecer artistas regionais e estimular cadeias produtivas ligadas à economia criativa.

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