O governador Paulo Dantas (MDB) protagonizou, esta semana, um discurso de tom agressivo diante de dirigentes da Segurança Pública de Alagoas, reunidos no Palácio República dos Palmares, em Maceió. Com gestual enfático e frases de efeito, o chefe do Executivo estadual deixou claro qual é, segundo ele, a postura do governo diante do crime organizado.
"Eu não tenho medo do PCC", declarou Dantas, segundo informações divulgadas pelo portal CadaMinuto. O governador foi além e afirmou apoiar a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas — posição alinhada à decisão recente do governo dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho nessa categoria. Especialistas alertam, no entanto, que PCC e Comando Vermelho são grupos criminosos voltados ao lucro e ao tráfico de drogas, sem motivação política ou ideológica — característica normalmente associada ao terrorismo.
O recado a quem pensa em desafiar o Estado foi direto: segundo a fonte, Dantas declarou que, em Alagoas, bandido "ou vai preso ou vai morrer". A fala foi feita em estilo que mistura linguagem popular com retórica política de endurecimento penal — linha cada vez mais adotada por governadores à medida que as eleições de 2026 se aproximam.
Em vídeo publicado nas redes sociais dias antes, o governador já havia afirmado que o Estado não teme o Comando Vermelho nem o PCC, defendeu operações policiais e declarou que, em seu governo, não há blindagem para ninguém. O discurso no palácio, portanto, representa a continuidade de uma postura que Dantas vem assumindo publicamente nas últimas semanas.
O contexto político ajuda a entender o timing das declarações. O ex-prefeito de Maceió, JHC, publicou nas redes sociais que Paulo Dantas teria "vestido uma fantasia de xerife" e disse que Alagoas estaria "entregue à bandidagem". A resposta do governador foi rebater com números: os cinco primeiros meses de 2026 foram os menos violentos de toda a série histórica de Alagoas, com queda de 63,6% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) na comparação com o mesmo período de 2012.
Maio de 2026 entrou para a história como o mês que mais reduziu CVLI no estado, e pelo segundo mês seguido Alagoas não registra feminicídios. Vinte e um municípios alagoanos estão há mais de 200 dias sem registrar Crimes Violentos Letais Intencionais. Mesmo assim, Dantas preferiu ancorar a comunicação no enfrentamento duro ao crime — linguagem que, nas pesquisas, mobiliza eleitores.
Nas últimas décadas, o Nordeste deixou de ser uma região de criminalidade difusa para se tornar alvo estratégico do PCC e do Comando Vermelho. O crime organizado descobriu na costa nordestina uma rota de exportação de drogas para a Europa e uma plataforma privilegiada para lavagem de dinheiro. É nesse cenário que governadores da região disputam o eleitor preocupado com segurança.
O discurso do governador alagoano tem eco nacional. Segundo pesquisa Genial/Quaest realizada em abril, 45% da população brasileira aponta a segurança pública como o maior problema do país. Com as eleições estaduais no horizonte, o tom duro de Dantas funciona tanto como gestão quanto como campanha antecipada — e a fonte que revelou o episódio não deixou de notar a ironia: o discurso foi feito justamente diante de dirigentes de segurança que, no dia a dia, lidam com os desafios concretos de um estado que ainda figura entre os mais violentos do Brasil.







