O nome PTK entrou no radar da política alagoana bem antes de virar manchete policial. Patrick de Almeida Silva, conhecido como "PTK", é um influenciador digital e pré-candidato a deputado federal preso pela DRACCO — Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil de Alagoas — na quarta-feira (3). A prisão aconteceu no âmbito da Operação Morro do Alemão, que visou desarticular integrantes do Comando Vermelho.
Atualmente filiado ao MDB, o influenciador reúne 186 mil seguidores no Instagram, onde se apresenta como "cara das comunidades" e utiliza o lema "respeita os motoboys" como slogan de sua pré-campanha. O perfil nas redes sociais misturava pautas comunitárias, aproximação com periferias de Maceió e uma construção clara de imagem política.
As investigações revelam, porém, que essa ambição eleitoral tinha patrocínio suspeito. De acordo com as apurações, "PTK" teria sido indicado por José Emerson da Silva, conhecido como "Nem Catenga", apontado como um dos traficantes mais procurados de Alagoas e identificado como liderança do Comando Vermelho no Estado, para representar a facção na Câmara Municipal de Maceió.
A primeira tentativa de entrada na política foi nas eleições de 2024. Segundo informações de bastidores, PTK procurou espaço tanto no Progressistas quanto no Podemos, mas não conseguiu viabilizar sua candidatura. Sem tempo hábil para uma nova filiação dentro do prazo eleitoral, acabou ficando fora da disputa daquele ano. O Solidariedade, partido no qual chegou a ser cogitado, também barrou sua participação: à época, ele era filiado ao Partido Solidariedade, que barrou a candidatura de última hora.
A entrada formal na política só ocorreu em 2026, quando o influenciador conseguiu se filiar ao MDB de Alagoas, partido liderado pelo governador Paulo Dantas e que integra o grupo político do senador Renan Calheiros e do ex-ministro dos Transportes Renan Filho. No mês de maio, PTK chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais anunciando sua pré-candidatura a deputado federal pela legenda.
Com a prisão, a corrida para se distanciar do personagem começou imediatamente entre as forças políticas locais. Figuras de peso da cena alagoana trataram de deixar claro que não têm — e nunca tiveram — qualquer relação com PTK. A situação escancarou um problema recorrente: os partidos, de modo geral, não fazem triagem rigorosa de seus filiados.
A ofensiva policial foi deflagrada para cumprir 51 mandados judiciais — sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão — expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital com base em provas técnicas. Com PTK, a polícia apreendeu R$ 20 mil em espécie, dois iPhones, dois anéis de ouro e um pendrive.
Segundo a polícia, o trabalho investigativo apontou que a cúpula do Comando Vermelho em Alagoas buscava expandir sua influência no Estado. "Essa operação tem por finalidade integrantes da cúpula do Comando Vermelho, que vem buscando expansão territorial em Alagoas, bem como apoio político", disse o delegado Igor Diego. A defesa de PTK não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.







