Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Política

Estudo aponta que Nordeste pode ser quase todo árido até 2100

Estudo aponta que até 99% do Nordeste pode enfrentar desertificação até 2100, caso as emissões de gases de efeito estufa aumentem.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
11 de novembro, 2025 · 15:27 2 min de leitura
Relatório do CEPAS na COP30 mostra avanço da aridez no Nordeste e exige medidas imediatas contra desertificação. Crédito: Elton Abreu - Shutterstock
Relatório do CEPAS na COP30 mostra avanço da aridez no Nordeste e exige medidas imediatas contra desertificação. Crédito: Elton Abreu - Shutterstock

Um alerta preocupante foi emitido durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) sobre o futuro do Nordeste brasileiro. Um estudo realizado pelo Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, indica que até o final do século, a quase totalidade da região poderá enfrentar condições áridas ou semiáridas.

Publicidade

As projeções revelam que, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam elevadas, até 57% do território nordestino se tornará árido e 42,4% semiárido, somando 99% da região em risco de desertificação. O relatório aponta que, mesmo em cenários de emissões intermediárias, a área árida pode aumentar de 3% para 26% e o semiárido de 43% para quase 60% até 2100. No pior cenário, o crescimento é alarmante, com 56,7% do Nordeste em condições áridas.

A pesquisa identificou que o Ceará será uma das primeiras áreas a padecer os efeitos dessa transição climática, com regiões atualmente subúmidas, como os sertões dos Inhamuns, Cariri e médio Jaguaribe, se tornando semiáridas nas próximas duas décadas. Essa situação traz consequências diretas para a agricultura, a recarga de rios e reservatórios, além de ameaçar a biodiversidade e aumentar a vulnerabilidade das comunidades rurais.

Alexander Araújo Costa, professor da Universidade Estadual do Ceará, enfatizou a necessidade de entender os limites de adaptação dos sistemas naturais e humanos dentro do semiárido. José Kerlly Soares de Araújo, da Universidade Federal do Ceará, acrescentou que o avanço da aridez, mesmo em cenários moderados, destaca a urgência de implementar políticas públicas inovadoras e promover o uso eficiente da água.

Publicidade

Francisco de Assis de Souza Filho, diretor do CEPAS, destacou que o Nordeste é “a fronteira climática do Brasil”, apontando que a gestão da água deve ser flexível e adaptativa, combinando conhecimento científico com políticas públicas efetivas e a participação das comunidades. Sem ações imediatas, o Nordeste poderá enfrentar um século marcado por secas severas, exigindo adaptações rápidas para mitigar impactos nos ecossistemas e na economia regional.

Leia também