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Navio chinês desembarca em Salvador com toneladas de material para a maior ponte da América Latina

Embarcação com mais de 800 toneladas de peças para a Ponte Salvador-Itaparica atracou na capital baiana; obras na Baía de Todos-os-Santos devem começar em junho.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
19 de maio, 2026 · 12:56 3 min de leitura
Navio com materiais para a Ponte Salvador-Itaparica atracado no Porto de Salvador
Navio com materiais para a Ponte Salvador-Itaparica atracado no Porto de Salvador

Um navio carregado com as primeiras peças da Ponte Salvador-Itaparica atracou no Porto de Salvador na segunda-feira (18) e foi visitado pelo governador Jerônimo Rodrigues nesta terça-feira (19). A embarcação partiu do Porto de Xangai, na China, no dia 30 de março, percorrendo cerca de 17 mil quilômetros até chegar à capital baiana com 44 contêineres e mais de 800 toneladas de material.

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A carga, estimada em US$ 3,5 milhões (mais de R$ 17 milhões), reúne 1.550 itens: painéis de vigas Bailey, estruturas metálicas, parafusos de suporte e pinos de trava. Todos esses componentes serão usados na montagem de uma plataforma provisória no mar, estrutura indispensável para viabilizar a circulação de máquinas pesadas, equipes técnicas e equipamentos ao longo das frentes de trabalho na Baía de Todos-os-Santos.

Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, o material será transportado para Maragogipe e para Vera Cruz, onde os canteiros de obras serão montados. "Esse material será descarregado entre hoje e amanhã e depois transportado por caminhões até Maragogipe", explicou o chefe do Executivo baiano. A previsão é de que as obras da ponte sejam efetivamente iniciadas em junho de 2026.

A plataforma provisória, tecnologia desenvolvida na China e ainda inédita na América Latina, será a espinha dorsal da construção. Com tecnologia utilizada exclusivamente pelas grandes construtoras chinesas, a estrutura servirá para o transporte de trabalhadores, insumos e equipamentos, garantindo mais segurança e eficiência durante a execução da obra. Entre as vantagens do sistema está a redução em quase 70% no número de embarcações atuando na Baía de Todos-os-Santos, contribuindo para um melhor tráfego marítimo.

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Os mesmos acionistas da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica estão construindo duas pontes na China com uso de plataforma semelhante: a Ponte Ferroviária Transmarítima da Baía de Hangzhou e a Ponte Rodoviária de Liuheng. Além do material já desembarcado, está prevista para esta terça-feira a entrega de 3.900 toneladas de tubos de aço — cerca de 400 tubos — que serão usados nas etapas iniciais de implantação da plataforma. Um guindaste de 60 toneladas já chegou ao canteiro de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe.

Só durante a fase de montagem da plataforma, a expectativa é de geração de cerca de 200 empregos diretos, entre montadores, soldadores e engenheiros, além de vagas indiretas em logística, transporte e suprimentos. No total, a expectativa é que sejam gerados cerca de 7 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, priorizando a mão de obra local.

Com investimento de cerca de R$ 11 bilhões, a ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos integra o novo Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica, maior obra de infraestrutura da história da Bahia. Com 12,4 quilômetros de extensão, a ponte será a maior da América Latina e contará com novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz.

A estrutura completa inclui túneis, viadutos e uma nova via expressa na ilha, afetando diretamente a mobilidade de cerca de 10 milhões de pessoas em mais de 250 municípios baianos. Embora a instalação da plataforma marque o início formal da obra, a fase mais visível — com intervenções sobre o mar — deve começar apenas em 2027. O prazo de entrega final da ponte está previsto para junho de 2031.

A Concessionária Ponte Salvador-Itaparica é formada pelos grupos chineses CCCC (China Communications Construction Company) e CRCC (China Railway Construction Corporation). O contrato com o Governo do Estado, no modelo de Parceria Público-Privada, prevê 35 anos de concessão: 1 ano para estudos e licenciamento, 5 anos de construção e 29 anos de operação.

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