Uma ofensiva de 171 deputados federais na Câmara ameaça adiar o fim da escala 6×1 por uma década. Entre os signatários, nove parlamentares baianos. A emenda foi apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) no dia 14 de maio, dentro da Comissão Especial que analisa a PEC 221/2019 — proposta que prevê a redução da jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais, com garantia de dois dias consecutivos de descanso.
O ponto mais polêmico do texto está no artigo 3º: a mudança constitucional só entraria em vigor dez anos após sua publicação. Na prática, se aprovada agora, a nova regra só começaria a valer em 2036 — e ainda dependeria de uma lei complementar para ter efeito real.
A emenda também cria exceções para atividades consideradas "essenciais", permitindo que esses setores continuem operando com jornada de até 44 horas semanais mesmo após eventual aprovação da PEC. Quais setores se encaixam nessa categoria seria definido por lei complementar, o que amplia a margem de manobra para empresários.
Os deputados baianos que assinaram o texto são: Capitão Alden (PL), Arthur Oliveira Maia (União), José Rocha (União), Roberta Roma (PL), João Carlos Bacelar (PL), Diego Coronel (Republicanos), Paulo Azi (União), Rogéria Santos (Republicanos) e Claudio Cajado (PP). O grupo reúne parlamentares de partidos de direita e do Centrão.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que o relator da comissão, Léo Prates (Republicanos-BA), tenta costurar uma solução intermediária entre governo, empresários e parlamentares de centro e direita. Segundo ele, o debate é sobre redefinir o teto constitucional para os trabalhadores que hoje cumprem 44 horas semanais, e não reduzir jornadas já menores.
A proposta base, a PEC 221/2019, foi apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes e tramita apensada à PEC 8/2025, de Erika Hilton (PSOL-SP), que trata da semana de quatro dias de trabalho. O cronograma da Câmara prevê votação ainda em maio. O ministro Guilherme Boulos criticou a manobra, afirmando que a estratégia dos parlamentares revela prioridade aos interesses empresariais em detrimento dos trabalhadores. Pesquisas indicam que cerca de 80% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.







