O Largo da Barra, um dos pontos mais conhecidos de Salvador, pode ganhar um novo nome. O deputado estadual Dr. Diego Castro (PL) apresentou uma indicação ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) pedindo que o logradouro passe a se chamar Largo Soldado Wesley Soares Góes — nome do policial militar morto no local em 28 de março de 2021.
A proposta foi encaminhada ao chefe do Executivo municipal por meio da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Segundo o parlamentar, a medida busca prestar uma homenagem póstuma ao soldado, cujo caso, segundo ele, "causou ampla comoção pública e intensa repercussão em todo o território baiano".
Na justificativa da proposta, o deputado argumentou que "independentemente das circunstâncias que envolveram o ocorrido, fato é que o Soldado Wesley passou a integrar a memória coletiva da cidade de Salvador e da própria história contemporânea da Polícia Militar da Bahia".
O parlamentar argumentou ainda que a denominação de logradouros públicos representa uma forma legítima de preservação histórica e reconhecimento institucional, e que atribuir ao Largo da Barra o nome do soldado "constitui medida simbólica destinada a eternizar a lembrança de um agente público cuja história ficou definitivamente associada ao referido local".
O caso de Wesley Góes
Na justificativa da proposição, o deputado destacou que Wesley Soares Góes era natural de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e integrava a PM-BA desde 2008, acumulando cerca de 13 anos de atuação na corporação. Soares não era lotado em Salvador, mas em um batalhão da Polícia Militar em Itacaré, no litoral sul do Estado, a 250 km da capital.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o episódio teve início quando o PM começou a atirar de dentro do carro na Avenida Sete de Setembro, no centro de Salvador, e passou a ser alvo de uma perseguição policial. Ele fugiu por quase 5 km até o Farol da Barra, onde desceu do veículo e passou a repetir frases e disparar para o alto.
O soldado Wesley Soares foi morto no dia 28 de março de 2021 por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) após cerca de 3h30 de negociações sem sucesso. Durante o episódio, a negociação com o soldado durou cerca de três horas e ele alternava momentos de lucidez com acessos de raiva, acompanhados de disparos. Além dos tiros de fuzil, o soldado arremessou grades, isopores e bicicletas no mar.
Aproximadamente às 18h35, o soldado verbalizou que havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e iniciou os disparos contra as equipes do BOPE. Após pelo menos dez tiros, ele foi neutralizado e socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos.
O caso gerou enorme repercussão nacional e foi politizado por diferentes lados. De acordo com o comandante da Polícia Militar da Bahia à época, coronel Paulo Coutinho, Góes não morreu porque se recusou a cumprir ordens, mas por ter atirado contra os próprios colegas.
A proposta do deputado Diego Castro ainda depende de aceitação e tramitação pela prefeitura de Salvador. O parlamentar afirmou que a homenagem simboliza respeito aos profissionais da segurança pública e reconhece "os desafios psicológicos, emocionais e operacionais inerentes à atividade policial, especialmente em um cenário de elevada pressão social e institucional".







