O deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha (Avante), está atrás das grades há mais de oito meses e, mesmo assim, tenta não abrir mão do jogo político. Segundo apuração do Bahia Notícias, circula nos bastidores do partido a possibilidade de um familiar do parlamentar entrar na disputa pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) nas eleições de 2026 — caso ele próprio não consiga se candidatar.
Os nomes cotados são os da esposa, Mayana Cerqueira da Silva, e do filho, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano. Ambos também estiveram entre os presos da Operação El Patrón, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público da Bahia. Atualmente, os dois respondem ao processo em liberdade.
A lógica da estratégia, conforme interlocutores do partido ouvidos pelo Bahia Notícias, é simples: com a situação jurídica de Binho cada vez mais complicada, um familiar poderia absorver os votos do legislador e manter a cadeira dentro da família. Mas há outro cálculo em jogo. A manutenção da prisão foi fundamentada em entendimento do Supremo Tribunal Federal segundo o qual o foro por prerrogativa de função se restringe a crimes cometidos durante o exercício do mandato e diretamente relacionados às funções parlamentares. Ainda assim, um novo mandato poderia dar ao deputado prerrogativas úteis à sua defesa.
Binho Galinha foi preso no dia 3 de outubro do ano passado, dois dias após ser considerado foragido da Justiça, no âmbito da Operação Anômico, um desdobramento da Operação El Patrón, deflagrada pela Polícia Federal. Atualmente, o parlamentar permanece custodiado em uma sala de Estado-Maior no Centro de Observação Penal (COP), localizado no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Após ser preso, Galinha foi expulso do PRD e, em seguida, se filiou ao Avante. Mesmo preso, Binho Galinha não perde automaticamente o mandato na Assembleia Legislativa da Bahia. Como a prisão é preventiva e não há condenação definitiva, as ausências às sessões não são contabilizadas.
A Justiça, por sua vez, não dá sinais de afrouxar. A magistrada renovou e manteve as prisões preventivas da esposa do deputado, Mayana Cerqueira da Silva, e de seu filho, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, além de outros investigados. A decisão foi assinada no dia 26 de junho. Na decisão, a juíza afirmou que permanecem atuais os fundamentos que justificaram as custódias.
Segundo a magistrada, as investigações apontam que, mesmo após a deflagração da Operação El Patrón, a organização criminosa teria permanecido em atividade operacional, com mecanismos para contornar medidas judiciais. Para a juíza, o chamado risco à ordem pública permanece presente, especialmente diante da gravidade concreta das condutas imputadas.
As acusações contra Binho Galinha são pesadas. O processo foi instaurado a partir de denúncia do Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), contra 13 denunciados. Segundo a decisão, o grupo é acusado de constituição e integração de organização criminosa armada, lavagem de capitais, usura e extorsão. A lista de crimes inclui ainda jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada e comércio ilegal de armas.
Binho Galinha foi eleito com 49,8 mil votos em 2022, tornando-se uma das forças políticas de Feira de Santana. A base eleitoral construída é justamente o ativo que a família tenta preservar — e que explica a movimentação nos bastidores, mesmo com o parlamentar do outro lado das grades.







