O 18º campus da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Eunápolis, no extremo sul da Bahia, está prestes a encerrar mais de três décadas sem sede própria. A transferência para o terreno onde funcionava a Escola Municipal Professor Fernando Alban é considerada uma conquista histórica da comunidade acadêmica local — mas vem acompanhada de uma limitação orçamentária que deixa parte da comunidade universitária em alerta.
Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o governo do estado publicou no Diário Oficial, em 22 de maio, o edital de licitação para a reforma do novo prédio. O processo estava travado desde 2021. A publicação veio após manifestações da comunidade acadêmica durante visita do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao município, quando ele entregava a nova sede da Secretaria de Saúde e uma usina de asfalto para a prefeitura local.
O problema está nos números. O edital aprovado prevê cerca de R$ 2,5 milhões para as obras — um valor aproximadamente R$ 6 milhões menor do que o originalmente planejado, de R$ 8 milhões. A redução representa um corte de 70% no orçamento da reforma, segundo a reportagem original.
Com esse montante reduzido, as obras se limitarão a intervenções pontuais: pintura, troca de rede elétrica e hidráulica e outras adequações menores. Ficam de fora do projeto itens previstos na proposta inicial, como auditório, quadra poliesportiva coberta, estacionamento, arquivo, almoxarifado, guarita e área de descanso para motoristas.
O corte orçamentário na Uneb de Eunápolis se enquadra num cenário mais amplo de contenção de gastos com educação no estado. O planejamento orçamentário do governo da Bahia para 2026 prevê redução de aproximadamente R$ 1 bilhão nos recursos destinados à educação, na comparação entre as Leis Orçamentárias Anuais de 2025 e 2026. A previsão caiu de R$ 13,57 bilhões em 2025 para R$ 12,50 bilhões em 2026 — uma retração nominal de R$ 1,07 bilhão, equivalente a cerca de 7,9%.
A redução atinge áreas diretamente ligadas ao funcionamento da rede estadual, com quedas registradas em programas de apoio financeiro, manutenção das unidades, transporte escolar e obras de infraestrutura.
A Seção Sindical dos Docentes da Uneb (Aduneb) reagiu. Em nota publicada no início de junho, o sindicato condenou a decisão do governo e registrou que a indignação da comunidade acadêmica intensificou as lutas pela demanda histórica da sede, segundo informações divulgadas pela reportagem original.
O diretor do campus, Charles Nascimento de Sá, contou que a aquisição do terreno tem uma trajetória acidentada. Segundo ele, a cessão foi feita ainda em 2017, pelo então governador Rui Costa (PT), mas foi revogada com a justificativa de corte de gastos durante a pandemia. Houve embate jurídico entre a Uneb e a Secretaria de Administração, sem desfecho favorável à universidade. "Não deu em nada", lamentou o dirigente, de acordo com a reportagem.
Apesar do orçamento reduzido, o diretor celebrou a publicação do edital. Ele avaliou que o valor disponível deve ser suficiente para tornar o prédio funcional para as atividades universitárias, já que a estrutura física existente é considerada a mais adequada entre as opções disponíveis no município. O dirigente também destacou que a conquista foi resultado direto das mobilizações da comunidade acadêmica e disse querer transformar a nova sede em um espaço aberto também à população de Eunápolis.
O campus oferece cursos de licenciatura em Letras Vernáculas, História e Pedagogia, além dos bacharelados em Turismo e Administração. Foi o décimo oitavo campus implantado pela Uneb, originado do Núcleo de Ensino Superior de Eunápolis (NESE), vinculado inicialmente ao Departamento de Educação.







