Durante a COP30, realizada na Zona Azul, o físico e climatologista Paulo Artaxo alertou que o aquecimento global pode levar o Brasil a um aumento de temperatura entre 4 °C e 4,5 °C em comparação com os níveis pré-industriais. O evento ocorreu na sexta-feira (14) no estande da Finlândia, onde Artaxo enfatizou que o mundo está se aproximando de um aumento médio superior a 1,5 °C, limite estabelecido pelo Acordo de Paris.
Artaxo destacou a necessidade urgente de implementar técnicas de remoção de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera, como a recuperação ecológica em larga escala. “O problema é que nenhuma técnica existente atualmente opera na escala necessária com um custo viável”, afirmou. Ele acrescentou que a solução mais eficaz envolve uma transição energética que interrompa a dependência de combustíveis fósseis.
O climatologista também ressaltou a importância de iniciativas de restauração ecológica para revitalizar serviços ecossistêmicos, como a manutenção do regime de chuvas. Contudo, observou que o esforço atual é insuficiente para contrabalançar as emissões contínuas de CO₂. “Não vai ser possível plantar árvores suficientes se continuarmos emitindo como hoje”, declarou.
Informações da Agência Fapesp revelaram que o Brasil está elaborando um roadmap para descarbonização dos setores econômicos, com expectativa de apresentação em 21 de novembro. Essa iniciativa busca alinhar o país com as ações de outras nações desenvolvidas em prol de um futuro mais sustentável.
Cientistas presentes na conferência destacaram que cada incremento de 0,1 °C no aquecimento global traz riscos maiores, incluindo ondas de calor mais intensas e incêndios florestais frequentes, impactando desproporcionalmente comunidades vulneráveis. Eles enfatizam que a adaptação às mudanças climáticas deve ser um dos focos principais da COP30.







