A Prefeitura de Salvador está prestes a colocar em prática um projeto de segurança marítima que levou cerca de dois anos para sair do papel. A iniciativa prevê a instalação de uma linha de boias marítimas no Porto da Barra para delimitar a área exclusiva para banho e restringir a circulação de embarcações motorizadas próximas à faixa de areia.
O pregão eletrônico já foi homologado e a próxima etapa é a assinatura do contrato com a empresa vencedora, sediada em São Paulo, para início da implantação. O prazo estimado é de 20 dias para fornecimento dos materiais e de 30 dias para a execução dos serviços, contados a partir da aprovação do orçamento e da assinatura do contrato.
As boias serão posicionadas a cerca de 80 a 100 metros da faixa de areia, criando um perímetro seguro para banhistas. Dentro desse espaço, não será permitida a navegação de lanchas, motos aquáticas e outras embarcações motorizadas.
O projeto não se resume apenas às boias. A iniciativa inclui ainda a fabricação e implantação de poitas em concreto armado e barreiras marítimas, com apoio de balsa, para execução das operações no mar. Está prevista também a requalificação da rampa ao lado do Forte de Santa Maria, trecho onde não haverá boias, permitindo o acesso organizado de pequenas embarcações, canoas e praticantes de esportes náuticos.
O projeto conta ainda com câmeras de monitoramento marítimo, em parceria com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit). As imagens serão compartilhadas com a Capitania dos Portos e a Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), reforçando a fiscalização e a identificação de irregularidades no mar.
O histórico de acidentes na região pesou na decisão. Um levantamento da Capitania dos Portos e da Marinha aponta que, nos últimos 10 anos, foram notificados 238 acidentes e 47 mortes somente na Baía de Todos-os-Santos, tendo como principais causas a negligência ou imprudência de quem conduzia as embarcações. Em janeiro deste ano, um homem morreu após se afogar na Praia do Porto da Barra; a vítima passou por tentativas de reanimação, mas não resistiu.
A medida ocorre após episódios recentes de embarcações invadindo áreas destinadas aos banhistas em praias como Porto da Barra, Ribeira e Boa Viagem. Segundo relatos, já havia na região, em abril de 2024, boias instaladas pela prefeitura para evitar impactos no ecossistema marinho, mas muitos usuários de motos aquáticas desrespeitavam os limites.
O projeto piloto será implantado no Porto da Barra por se tratar de um dos principais cartões-postais da cidade e por concentrar grande fluxo de turistas ao longo do ano, especialmente no verão. Após a implantação e ajustes do projeto-piloto, a Prefeitura pretende expandir a iniciativa para outras praias da cidade.
A ação contribuirá também para a proteção do Parque Marinho da Barra, primeira unidade de conservação marinha municipal ligada ao continente, que abriga rica biodiversidade e três naufrágios históricos tombados como sítios arqueológicos nacionais.







