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PMPA - 5736
Política

Deputado baiano ex-jornalista quer fechar lacuna previdenciária e garantir aposentadoria especial a comunicadores

Projeto de Jorge Araújo (PP-BA) reconhece risco e insalubridade da atividade jornalística e prevê tempo de contribuição reduzido conforme nível de exposição.

Redação ChicoSabeTudo
11 de julho, 2026 · 06:12 2 min de leitura
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão legislativa
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão legislativa

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode mudar a realidade previdenciária de jornalistas, repórteres fotográficos, cinegrafistas, operadores de câmera e produtores de todo o país. A proposta é do deputado federal Jorge Araújo (PP-BA) e prevê aposentadoria especial para profissionais da comunicação social que exerçam suas atividades em condições de risco ou insalubridade.

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Araújo tem trajetória direta com a área. Antes de chegar à Câmara Federal como suplente do PP, ele construiu carreira como jornalista e apresentador de rádio e televisão na Bahia, tendo iniciado na comunicação aos 16 anos, na Rádio Tropical FM, em Euclides da Cunha, no sertão baiano.

Para ter direito ao benefício, o profissional precisará ser segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), exercer suas funções com habitualidade e permanência em condições de risco ou insalubridade, e possuir o registro profissional exigido por lei. O tempo de contribuição variaria conforme o grau de exposição: 25 anos nos casos de agentes nocivos em grau máximo, 28 anos para grau médio e 30 anos para grau mínimo.

Na justificativa do projeto, o parlamentar aponta que a legislação atual ignora os perigos concretos enfrentados por quem trabalha em campo. Segundo informações divulgadas pelo portal BNews, o deputado afirmou que esses trabalhadores "cobrem conflitos armados, operações policiais, manifestações, desastres naturais, incêndios, vazamentos de substâncias tóxicas e epidemias, muitas vezes sem a devida proteção e sem qualquer reconhecimento legal de suas condições especiais de trabalho".

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O contexto que embasa a proposta é preocupante. Levantamento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) registrou cerca de 900 mil ocorrências de ataques a jornalistas ao longo de 2025, o equivalente a quase 2,5 mil agressões por dia — um crescimento de 35% em relação ao período anterior. Além disso, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) contabilizou 144 casos de agressões físicas a profissionais de comunicação apenas em 2024.

No ambiente digital, o cenário também se agravou. Relatório da Fenaj apontou aumento expressivo no assédio judicial contra jornalistas, especialmente fora dos grandes centros urbanos — realidade que afeta diretamente profissionais que atuam em regiões como o Nordeste e o Vale do São Francisco.

O projeto de Jorge Araújo se soma a um movimento mais amplo do poder público para enfrentar a violência contra a imprensa. O governo federal firmou recentemente um protocolo nacional de investigação de crimes contra jornalistas e comunicadores, elaborado no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais.

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A proposta ainda aguarda análise nas comissões da Câmara. Se aprovada, representaria o primeiro reconhecimento formal, no ordenamento jurídico brasileiro, de que a atividade jornalística pode configurar trabalho em condições especiais para fins previdenciários.

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