Documentos da Polícia Federal apontam a realização de 74 ligações entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, no período entre novembro de 2023 e maio de 2025. As chamadas, segundo os relatórios, somam cinco horas e trinta minutos de conversa. A informação se tornou pública nesta quinta-feira (30), depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo do procedimento.
A decisão foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Mendonça considerou encerradas as diligências autorizadas anteriormente e certificou o trânsito em julgado do procedimento, o que abriu caminho para a divulgação dos dados.
De acordo com a PF, o volume de contatos reflete uma relação descrita como antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal entre os dois. A autorização concedida por Mendonça, assinada em 17 de junho, permitiu o acesso a registros telefônicos, dados de estações rádio-base e identificação de aparelhos, mas não incluiu escuta ou gravação do conteúdo das ligações — o levantamento se limitou a metadados, usados para reconstruir deslocamentos e localizar aproximadamente os terminais telefônicos.
Augusto Ferreira Lima é um dos investigados na Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da operação, em 18 de junho, e foi intimado a prestar depoimento à PF em Brasília no dia 7 de agosto.
Em nota enviada à imprensa após a operação de junho, a assessoria do senador afirmou que ele não é réu, não foi denunciado nem acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados, e negou atuação em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.
O caso tramita no STF sob o número PET 16.210, com relatoria de André Mendonça.







