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Bahia perde Virgildásio de Senna, ex-prefeito de Salvador derrubado pela ditadura, aos 102 anos

Engenheiro e político do Recôncavo baiano, ele foi eleito prefeito da capital em 1962, deposto pelo golpe de 1964 e ainda cassado pelo AI-5 — mas voltou à vida pública como deputado federal constituinte.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
30 de maio, 2026 · 19:30 2 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O ex-prefeito de Salvador Virgildásio de Senna morreu neste sábado (30) aos 102 anos. A família confirmou o falecimento e informou que o sepultamento ocorreu no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, na capital baiana.

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Natural de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, Virgildásio nasceu em 3 de novembro de 1923. Formado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, atuou no Serviço de Obras da Secretaria da Educação da Bahia entre 1948 e 1951, como superintendente de Urbanização da Capital (1959) e secretário municipal de Viação e Obras Públicas do prefeito Heitor Dias Pereira (1959-1961).

Apoiado por Heitor Dias, Virgildásio foi eleito prefeito da capital baiana pelo PTB, em outubro de 1962, sendo empossado em 7 de abril de 1963. Durante a gestão, concluiu as obras de construção da Avenida Centenário, que liga a Barra ao Dique do Tororó. Ele também deflagrou a implantação dos projetos que compunham o chamado "Plano Mario Leal Ferreira", no início da revolução urbana da capital.

Seu mandato foi interrompido pelo golpe militar de 1964, quando foi deposto e perdeu o cargo. Anos depois, também foi cassado pelo AI-5. Após a deposição, passou a residir no Rio de Janeiro, de onde voltou à Bahia após a anistia política.

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Em 2013, a Câmara Municipal de Salvador, por meio de sessão solene, devolveu simbolicamente o mandato de prefeito a Virgildásio de Senna — um reconhecimento tardio, mas simbólico, da injustiça que sofreu décadas antes.

Filiado ao PMDB após a abertura política, foi eleito deputado federal em 1982 e reeleito para a Assembleia Nacional Constituinte em 1986. Em 1988, Virgildásio fundou, junto com outros dissidentes do PMDB, o PSDB, e se candidatou a prefeito pelo novo partido. Sua trajetória política se encerrou em 1991, com o fim do segundo mandato de deputado federal.

O vereador de Salvador Téo Senna (PSDB), sobrinho do ex-prefeito, lamentou a morte em nota nas redes sociais. Na política, Téo seguiu os passos do tio e do pai, Virdálio de Senna, ex-vereador em Nazaré das Farinhas. Na nota, ele destacou a trajetória de Virgildásio como exemplo para quem exerce mandatos públicos, marcada pela retidão e pelo equilíbrio.

"Apaixonado pelo Brasil, e, em especial, pela Bahia, Virgildásio dedicou sua vida a entender as raízes de nossas desigualdades e a tentar superá-las, primeiro como engenheiro, depois como político, mas sempre como Santamarense, e Cidadão Honorário de Salvador", diz trecho da nota divulgada pela família.

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