Um idoso de 64 anos foi preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (17) depois de ameaçar a própria filha com uma faca, no bairro Pedra Velha, em Delmiro Gouveia, no Alto Sertão de Alagoas. O caso foi enquadrado como violência doméstica nos termos da Lei Maria da Penha.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, a guarnição foi acionada pelo Centro de Operações da PM (Copom) para verificar uma denúncia de ameaça na localidade. Ao chegar, os militares foram recebidos pela vítima, uma mulher de 27 anos, que relatou ter sido ameaçada pelo pai. Ela contou que o homem estava supostamente sob efeito de bebida alcoólica quando proferiu palavras ofensivas e passou a intimidá-la com o objeto cortante.
Os policiais seguiram até a residência indicada e localizaram o suspeito. Durante a averiguação, encontraram a faca mencionada pela vítima sobre um sofá no interior do imóvel. Diante das evidências, o homem recebeu voz de prisão em flagrante.
Tanto a filha quanto o pai foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Delmiro Gouveia para a realização dos exames de corpo de delito. Em seguida, os dois foram levados ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante (APF). O idoso permaneceu preso e responderá pelo crime de ameaça contra mulher em razão da condição do sexo feminino, conforme o artigo 147, § 1º, do Código Penal, no âmbito da Lei Maria da Penha.
O episódio ocorre em um cenário de alta incidência de violência contra a mulher na região. Delmiro Gouveia é o terceiro município alagoano com mais notificações de violência contra meninas e mulheres, com 938 casos registrados entre 2020 e 2024, ficando atrás apenas de Maceió e Arapiraca. Alagoas registrou crescimento de 31% nos pedidos de Medida Protetiva de Urgência entre janeiro e junho de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, e a Polícia Civil bateu recorde de prisões por violência doméstica no estado, com 1.400 prisões no primeiro semestre de 2025, contra 1.099 no ano anterior.
No plano nacional, o cenário também é preocupante. Segundo o CNJ, foram registrados 966.785 casos novos de crimes baseados na Lei Maria da Penha em 2024, e 1.450 feminicídios foram oficialmente computados no Brasil no mesmo ano — uma média de 4 mulheres mortas por dia. O número de medidas protetivas solicitadas quase dobrou em quatro anos, saltando de 463 mil em 2021 para mais de 851 mil em 2024.
Mulheres em situação de violência podem buscar orientação ou realizar denúncias pelo Ligue 180, serviço gratuito disponível 24 horas por dia, inclusive contra membros da própria família.







