O empresário Marcello Gusmão de Aguiar Vitório, investigado por atear fogo no apartamento da ex-namorada no bairro Ponta Verde, em Maceió, perdeu mais uma batalha judicial. A Justiça negou, na manhã desta quarta-feira (10), o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do acusado, que está foragido há mais de um mês.
A prisão preventiva de Marcello Gusmão foi decretada pela Justiça de Alagoas após investigação que o apontou como suspeito de tentativa de feminicídio pelo incêndio ocorrido em fevereiro de 2025. A decisão foi assinada pelo juiz José Eduardo Nobre Carlos, da 8ª Vara Criminal da Capital. Desde então, ele não foi localizado e não se apresentou espontaneamente à polícia.
O empresário é acusado de violar o monitoramento eletrônico 1.449 vezes, segundo os autos do processo. Das violações registradas, 26 foram classificadas como de elevada gravidade, com o empresário chegando a menos de 100 metros da ex-namorada. Ele teria, segundo o processo, fixado residência a apenas 700 metros de distância da vítima, ignorando sistematicamente o raio de exclusão determinado pela Justiça.
A defesa, comandada pelo advogado Marinésio Luz, argumentou que Marcello não violou intencionalmente as medidas protetivas. Segundo informações divulgadas pelo TNH1, o advogado alegou que o próprio empresário procurou voluntariamente o sistema de monitoramento para relatar que o equipamento estava com defeito, e que o aparelho chegou a ser substituído pelo órgão responsável — o que, para a defesa, comprovaria a ausência de dolo. O juiz, no entanto, afastou o argumento de falha técnica.
Para o magistrado, o volume e a consistência dos dados tornam a tese de defeito improvável, e o comportamento do réu demonstra descompromisso com as ordens judiciais, colocando em risco a integridade física e psicológica da vítima. A defesa já anunciou que entrará com recurso ordinário constitucional para contestar a decisão.
A Polícia Científica excluiu a possibilidade de o fogo ter sido iniciado por causa natural ou por fenômeno elétrico, e os vestígios encontrados no local apontam que o incêndio teve origem humana ou intencional. A mulher não estava no apartamento no momento do fogo, mas um irmão e um primo dela dormiam no local.
Marcello chegou a ficar preso por cerca de dois meses, mas foi solto em abril de 2025 após o Ministério Público de Alagoas perder o prazo para se manifestar sobre as acusações, segundo a defesa da vítima. O empresário foi denunciado por tentativa de homicídio, violência psicológica, dano e incêndio.
A advogada Amanda Montenegro, representante da vítima Mariana Maia, afirma que ele nunca deixou de perseguir a cliente: "Ele resolveu se mudar para um imóvel que fica na esquina do apartamento de Mariana e passou a se aproximar dela de forma reiterada. Ele continuou a persegui-la." O caso segue em andamento na 8ª Vara Criminal da Capital de Maceió, enquanto o paradeiro de Marcello Gusmão permanece desconhecido.







