O Tribunal do Júri da comarca de Água Branca, em Alagoas, condenou Givanildo Gomes Lima por tentativa de homicídio qualificado ocorrido na zona rural de Pariconha. A sessão de julgamento aconteceu na última sexta-feira (24), apenas 141 dias após a data do crime — o menor intervalo entre fato e condenação já registrado na série recente daquela unidade judiciária, segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias.
O crime aconteceu em 5 de março de 2026. De acordo com os autos, Givanildo quebrou um taco de sinuca no interior de um bar da zona rural e, com os pedaços, desferiu golpes contra um homem de 62 anos, causando múltiplas lesões perfurocortantes no abdômen e no tórax da vítima. A agressão só foi interrompida porque um terceiro presente no estabelecimento interferiu fisicamente.
A sessão foi presidida pelo juiz de direito Marcos Vinícius Linhares Constantino da Silva. A acusação ficou a cargo do promotor de Justiça Frederico Alves Monteiro Pereira, e a defesa foi conduzida pela defensora pública Andréa Carla Tonin.
Por maioria de votos, os sete jurados reconheceram a materialidade do fato, a autoria e o dolo — a intenção de matar. Foram confirmadas duas qualificadoras: motivo fútil e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. A tese absolutória apresentada pela defesa foi afastada. Na sentença, o juiz presidente fixou a pena definitiva em 7 anos e 7 meses de prisão em regime fechado.
O intervalo de 141 dias chama atenção quando comparado ao cenário nacional. Segundo diagnóstico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as decisões condenatórias nos Tribunais do Júri brasileiros ocorrem, em média, em processos com quatro anos e quatro meses de tramitação — tempo que, neste caso, foi reduzido a menos de cinco meses.
A celeridade importa também pelo impacto no resultado. Pesquisa publicada pela Revista Brasileira de Direito Constitucional, com base em dados dos Tribunais do Júri de São Paulo, aponta que quanto maior o tempo de duração do processo, maior a probabilidade de absolvição ou de aplicação de pena mais branda. Julgar com rapidez, portanto, tende a fortalecer a resposta penal.
Água Branca fica no sertão alagoano e integra a região do Alto Sertão, próxima à fronteira com Pernambuco. A comarca abrange municípios como Pariconha, onde ocorreu o crime. O julgamento encerra o processo na primeira instância, mas a defesa ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça de Alagoas.







