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FICCO da Bahia desmonta esquemas do PCC e CV e congela R$ 102 milhões em menos de três anos

Desde agosto de 2023, a força-tarefa cumpriu 402 mandados, prendeu lideranças em outros estados e até na Bolívia, e sufocou as finanças das duas maiores facções do país.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
01 de junho, 2026 · 05:03 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Bahia (FICCO/BA) acumulou, em menos de três anos de operação, um golpe financeiro estimado em R$ 102 milhões contra as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e cobrem o período de agosto de 2023, quando a força-tarefa foi implantada no estado, até maio de 2026.

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No total, a força-tarefa reúne policiais federais, civis, militares e penais, além de setores de inteligência e secretarias estaduais de segurança pública. Segundo informações divulgadas pela SSP-BA, foram cumpridos 402 mandados de busca e apreensão no período — sendo 210 deles diretamente relacionados ao bloqueio dos R$ 102 milhões em bens, dinheiro e ativos financeiros das facções.

O trabalho vai além das fronteiras estaduais. Quando policiais prendem integrantes do PCC em regiões de fronteira ou desarticulam células do CV espalhadas por diferentes estados, a sigla que aparece cada vez mais nas investigações é a FICCO — a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que se tornou uma das principais estruturas utilizadas pelas autoridades brasileiras para enfrentar organizações criminosas que operam em escala nacional e internacional.

A Bahia tem se destacado nesse combate com operações internacionais. A Polícia Federal prendeu no dia 10 de maio de 2026 Kleber Nóbrega Pereira, conhecido como "Kekeu", um dos líderes do Comando Vermelho, durante uma operação internacional realizada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O criminoso, que atuava na Bahia e no Rio de Janeiro, foi capturado junto da mulher, Micaely Santos Silva, em uma residência avaliada em R$ 6 milhões.

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O traficante preso é apontado como um dos chefes do Comando Vermelho em Salvador e em outras cidades da Bahia, sendo considerado um dos principais chefes nacionais da facção criminosa carioca fora do Rio de Janeiro. Micaely Santos Silva é suspeita de atuar na movimentação financeira da organização criminosa, sendo responsável pelo esquema de lavagem de dinheiro da facção.

Com a prisão do casal, são seis os líderes do Comando Vermelho presos na Bolívia apenas em 2026 em operações internacionais coordenadas pela Interpol. De acordo com informações da SSP-BA, a Bolívia é o principal destino de fuga das lideranças do PCC e do CV capturadas em operações internacionais da FICCO/BA.

Depois de concluídos os trâmites de extradição, o casal desembarcou sob escolta no Aeroporto Internacional de Salvador, no dia 16 de maio. Kleber Nóbrega Pereira chegou a comandar uma quadrilha de sequestradores quando estava preso na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, e foi denunciado pelo Ministério Público estadual por esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo informações da SSP-BA, a maior parte das 402 prisões realizadas no período envolveu lideranças do PCC e do CV localizadas em outros estados e países. Um dos casos ocorreu em 22 de maio, quando as FICCOs da Bahia e de São Paulo, em conjunto com a Polícia Militar paulista, prenderam na capital paulista o líder de uma facção com atuação no sudoeste da Bahia.

A Bahia foi o primeiro estado do Nordeste a adotar o modelo da FICCO, que foi implantado inicialmente em Minas Gerais, em meados de 2022. Nos últimos meses, a presença da FICCO passou a ser frequente em operações contra tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, armas, facções e estruturas financeiras ligadas ao crime organizado. Atualmente, a força-tarefa está presente no Distrito Federal e em 17 estados brasileiros.

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