Uma mulher precisou abandonar a própria casa na noite do último sábado (18) depois de receber uma ligação do ex-companheiro com ameaças de morte. O caso foi registrado no bairro Pedra Velha, em Delmiro Gouveia, no Alto Sertão de Alagoas, e mobilizou uma equipe do Pelotão de Operações Policiais Especiais (Pelopes), acionada pelo Centro de Operações da PM (Copom).
Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, durante a ligação o homem afirmou que iria matar a vítima com uma faca ainda naquele dia. Com medo, ela deixou a residência e buscou abrigo na casa dos pais antes de procurar a Polícia Militar para denunciar o ocorrido.
Os militares realizaram rondas e diligências na região para tentar localizar o suspeito, mas ele não foi encontrado. A guarnição também repassou orientações de segurança à vítima e recomendou que ela acionasse imediatamente o 190 caso o ex-companheiro voltasse a aparecer ou a ameaçar.
A mulher foi orientada a comparecer à Delegacia de Polícia Civil para registrar formalmente a ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. O caso será investigado pela Polícia Civil.
O episódio se soma a uma série de casos semelhantes registrados recentemente em Delmiro Gouveia. O município tem acumulado ocorrências de violência doméstica, e o próprio bairro Pedra Velha já foi cenário de outro caso: um homem foi preso após descumprir medida protetiva e ameaçar a própria mãe. A cidade também tem sido alvo de ações de enfrentamento à violência doméstica por parte das forças de segurança estaduais.
O cenário em Alagoas é preocupante. O número de medidas protetivas de urgência no estado cresceu mais de 31% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024, e as prisões pela Lei Maria da Penha saltaram de 1.099 para 1.400 em todo o estado. Os dados evidenciam um cenário alarmante de crescimento dos casos de feminicídio, com o Tribunal de Justiça de Alagoas registrando aumento de cerca de 170% nos primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
No plano legal, nos primeiros quatro meses de 2026 foram requeridas 159.990 medidas protetivas no Brasil, com 104.401 concedidas. As alterações na Lei Maria da Penha em 2026 são as mais amplas desde a criação da lei, com sete normas que mudaram tipos penais, medidas protetivas e o regime disciplinar do agressor condenado. Entre as novidades, a Lei nº 15.383/2026 prevê expressamente a cumulação das medidas protetivas de urgência com a monitoração eletrônica do agressor, disponibilizando também à vítima dispositivo de segurança que alerta sobre eventual aproximação.
Mulheres em situação de violência ou ameaça podem ligar gratuitamente para o Ligue 180, disponível 24 horas por dia. Em caso de perigo imediato, o número da Polícia Militar é o 190.







