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Polícia

Clínica de reabilitação na Bahia escondia câmara de torturas: 39 pacientes resgatados e gerente preso

A Terra Santa Videira, em Candeias, era investigada desde dezembro de 2025 por duas mortes, cárcere privado e maus-tratos. A Polícia Civil deflagrou a Operação Terra Santa nesta quarta-feira (22).

Redação ChicoSabeTudo
23 de julho, 2026 · 00:00 3 min de leitura
Policiais durante a Operação Terra Santa em clínica de reabilitação em Candeias, Bahia
Policiais durante a Operação Terra Santa em clínica de reabilitação em Candeias, Bahia

Uma clínica de reabilitação na zona rural de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, se revelou um cenário de horrores após a Operação Terra Santa, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia na manhã desta quarta-feira (22). A ação revelou 39 pacientes encontrados em situação de cárcere privado. O estabelecimento, identificado como Terra Santa Videira, é investigado por suspeitas de tortura, maus-tratos e envolvimento em duas mortes ocorridas desde o fim de 2025.

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O gerente da clínica foi preso durante a operação. Apontado como braço direito do proprietário da instituição, ele foi encontrado dormindo nas dependências da unidade e autuado em flagrante pelos crimes de tortura e maus-tratos. A operação foi deflagrada por equipes da 20ª Delegacia Territorial (DT/Candeias), vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (Depom).

As investigações tiveram início em 31 de dezembro de 2025, após o interno Geovane Santana Lopes ser encontrado com graves queimaduras dentro da clínica. Na época, a instituição informou que ele havia causado as próprias queimaduras, versão que foi contestada pela família. Geovane permaneceu internado por mais de quatro meses, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em 4 de maio de 2026.

Apenas cinco dias após a morte de Geovane, Iago Marques Formiga, que trabalhava como monitor da clínica após concluir o próprio tratamento no local, desapareceu. O corpo de Iago, de 33 anos, foi encontrado carbonizado às margens da BA-530, em Camaçari. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou se as duas mortes possuem ligação direta.

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Segundo relatos de ex-internos, pacientes eram submetidos a sessões de tortura, incluindo choques elétricos e castigos em que ficavam pendurados de cabeça para baixo, além de serem dopados, ameaçados e obrigados a realizar trabalhos forçados. Segundo informações divulgadas pela fonte original, havia um espaço interno chamado de "quartinho do amor" onde as agressões ocorriam, e uma área nos fundos da clínica, próxima a um lago, onde teriam acontecido sessões de afogamento.

De acordo com as informações levantadas durante a investigação, familiares dos pacientes pagavam cerca de R$ 1,2 mil por mês pelo tratamento oferecido pela instituição. Durante os mandados de busca, foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares, documentos e medicamentos controlados nas residências do proprietário da clínica e do gerente.

Os 39 pacientes resgatados foram encaminhados para exames de corpo de delito realizados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), cujos laudos deverão subsidiar as investigações e ajudar na comprovação dos crimes de tortura, maus-tratos e demais infrações identificadas.

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O delegado responsável pelas investigações, Marcos Laranjeira, não poupou palavras ao detalhar o alcance das apurações. "As investigações já apontam indícios de participação do proprietário nos crimes de maus-tratos e tortura praticados contra os internos. Também apuramos denúncias de que a clínica possa ter sido utilizada para a execução de vítimas e investigamos a possível participação dos envolvidos em uma organização criminosa", afirmou.

Além dos casos de Iago e Geovane, a Polícia Civil também apura denúncias de ameaça, lesão corporal, cárcere privado, maus-tratos e tortura supostamente praticados contra pacientes da instituição. As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos, identificar outros possíveis envolvidos e verificar a eventual relação da clínica com outros crimes praticados na região.

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