A Polícia Militar evitou o agravamento de um conflito familiar na noite do último domingo (19) em Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas. Segundo informações divulgadas pela corporação, equipes do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Piranhas e da Força-Tarefa 02 foram acionadas pelo Centro de Operações da PM (Copom) para atender a uma denúncia de possível ameaça em uma residência no bairro Nossa Senhora da Saúde.
Ao chegarem ao local, os policiais encontraram um homem em discussão verbal com as próprias enteadas. Conforme o boletim de ocorrência, ele apresentava sinais visíveis de embriaguez alcoólica no momento do atendimento.
Diante da situação, as guarnições optaram pela mediação entre os envolvidos. A abordagem funcionou: o diálogo foi restabelecido e ficou definido, em comum acordo, que o homem deixaria a residência onde vivia com a companheira e as enteadas, para evitar novos desentendimentos.
Ainda segundo a PM, ele reuniu seus pertences e se dirigiu ao terminal rodoviário de Piranhas, informando que viajaria para Sertânia, no Pernambuco, onde reside sua mãe. Nenhuma das partes quis representar criminalmente, e ninguém foi detido.
O caso acontece num contexto de preocupação crescente com a violência doméstica no estado. Em Alagoas, só no primeiro trimestre de 2026, já foram contabilizadas 440 denúncias pelo Ligue 180. No ano passado, foram concedidas 4.481 medidas protetivas no estado — número superior aos de 2024 e 2023, quando foram deferidas, respectivamente, 4.472 e 3.740.
Piranhas, em particular, tem acumulado registros recorrentes desse tipo de ocorrência. A cidade tem registrado casos de descumprimento de medidas protetivas; em maio deste ano, um homem de 37 anos foi preso em flagrante após invadir a residência da ex-companheira no povoado Piau, na zona rural do município.
Na esteira desse cenário, o município também deu um passo institucional recente: Piranhas criou oficialmente o CEAM — Centro Especializado de Atendimento à Mulher — para apoiar vítimas de violência, com equipe multidisciplinar e ações de prevenção garantidas por lei municipal. A estrutura deverá oferecer atendimento psicológico, social e jurídico, além de encaminhar vítimas aos serviços da rede de proteção.
Mulheres em situação de violência doméstica podem acionar o Ligue 180 — canal gratuito e disponível 24 horas — para registrar denúncias e receber orientações. Em situações de emergência, o número da Polícia Militar é o 190.







