Um estúdio independente da Bahia acaba de colocar o folclore brasileiro no mapa do desenvolvimento internacional de jogos. A Blueberry Turtle conquistou cinco premiações na grande final da GameJam Plus, realizada em Brasília, com o game Boitatá Wilderness Reborn — título que transforma a lenda da serpente de fogo protetora das florestas em experiência de entretenimento com forte apelo ambiental e educativo.
Segundo informações divulgadas pelo Portal A TARDE, a equipe baiana superou concorrentes de mais de 42 países e cerca de 900 equipes participantes para chegar à final nacional. O projeto também havia vencido a etapa Nordeste da competição, em março, antes de avançar para Brasília e voltar com os troféus de Melhor Arte, Melhor Jogo Educativo, Melhor Jogo Ambiental, Melhor Jogo por Voto Popular e terceiro lugar geral entre os melhores jogos do Brasil.
A GameJam Plus é descrita como a maior competição mundial de desenvolvimento de jogos com foco em negócios. Conhecida como a "Copa do Mundo" do desenvolvimento de jogos, a competição tem como principal objetivo promover a economia criativa, incentivando a criação de novos jogos e a formação de empresas no setor. A cidade de Brasília sediou em junho de 2025 a Grande Final da edição 2024/2025, reunindo finalistas e investidores de diversos países.
O designer e líder do projeto, Matheus Thomé, explicou que o protótipo nasceu durante a GameJam Plus, em outubro do ano passado, quando a equipe precisou criar o jogo em apenas três dias. A escolha pelo folclore não foi por acaso. "Queríamos explorar o folclore brasileiro porque é uma temática que é pouquíssimo abordada no mundo dos jogos", declarou Thomé ao Portal A TARDE.
O protagonista é a figura folclórica brasileira conhecida como Boitatá, uma serpente de fogo gigante com inúmeros olhos pelo corpo, que surge em áreas florestais para enfrentar aqueles que atacam a flora e a fauna. No jogo, o personagem usa esse poder para proteger a floresta da ação humana e restaurar biomas degradados ao longo da partida. A Caipora também aparece como personagem, ampliando o repertório de lendas do Norte e do Nordeste do Brasil apresentadas ao público global.
O game é um 2D Tower Defense Survival com progressão em sidescrolling, inspirado em Kingdom: Two Crowns e no folclore brasileiro. Durante o dia, o jogador planta árvores e resgata animais. À noite, esses animais se tornam torres de defesa contra as hordas de invasores humanos. Segundo informações divulgadas pela fonte, cada animal possui uma habilidade específica, todos são da fauna brasileira e todos estão em risco de extinção — com descrições disponíveis no inventário do jogo.
A proposta une mecânicas pouco comuns no mercado indie. Conforme explicou Thomé ao Portal A TARDE, a combinação de ação em tempo real baseada no bafo de fogo do Boitatá com tower defense em formato sidescroller cria uma experiência difícil de encontrar em outros títulos. O objetivo final é sobreviver às ameaças e reflorestar todo o ambiente que foi desmatado.
Apesar do reconhecimento nacional, a trajetória da equipe ainda carrega os desafios típicos de pequenos estúdios brasileiros. Segundo informações divulgadas pelo Portal A TARDE, o desenvolvimento já ultrapassa oito meses de trabalho contínuo e a equipe é formada por sete integrantes que produzem sem fonte de receita inicial. O grupo busca investidores e publicadoras para concluir o projeto.
O Brasil já é o maior mercado de games da América Latina e o 10º do mundo, com previsão de receita de US$ 3,5 bilhões até 2025. Nesse contexto, iniciativas como a da Blueberry Turtle reforçam a capacidade criativa de estúdios independentes brasileiros de competir — e vencer — em arenas globais, a partir de uma identidade cultural que ainda tem muito a oferecer ao mundo.






