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Cultura

De Salvador ao São Francisco: escolas baianas transformam junho em sala de aula de cultura popular

Com ensaios de quadrilha, decoração sustentável e atividades pedagógicas, unidades de ensino de 51 municípios celebram as tradições juninas nordestinas neste mês.

Redação ChicoSabeTudo
17 de junho, 2026 · 14:15 3 min de leitura

O mês de junho chegou e, nas escolas públicas da Bahia, os corredores se enchem de bandeirolas, os pátios se animam com ensaios de quadrilha e as salas de aula ganham um novo tema: a cultura nordestina. As festas juninas deixaram de ser apenas uma celebração e se consolidaram como uma das ferramentas pedagógicas mais completas do calendário escolar.

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Um exemplo concreto dessa movimentação está no Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no bairro do Arenoso, em Salvador. A unidade preparou sua festa junina para esta quarta-feira, 17 de junho, reunindo alunos, professores, famílias e funcionários. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, a decoração foi construída em grande parte com materiais recicláveis — papelão, folhas de rascunho e caixas de isopor —, e um dos destaques é uma escultura de burro em tamanho real, produzida artesanalmente pela própria equipe escolar.

O gestor da escola, Marco César, reforça que a proposta vai além da festa. "Aqui no Clarice Santiago nós valorizamos a arte, a cultura e o protagonismo juvenil. Resgatar essas tradições é muito importante para a formação da identidade dos nossos jovens", disse ele, segundo a fonte. A professora de dança Taila Samile, responsável pelos ensaios, é formada pela Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e cursa Licenciatura em Dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Neste ano, a proposta da quadrilha mantém os personagens clássicos — noivo, noiva, padre e narradora — em um resgate fiel às bases da tradição.

De acordo com informações divulgadas pelo A Tarde, ao todo 51 municípios baianos desenvolvem ações juninas nas redes estaduais de ensino, com atividades que vão de apresentações de quadrilhas e quermesses a concursos culturais e projetos ligados à sustentabilidade. No Núcleo Territorial de Educação (NTE) 10, que abrange a região do São Francisco, Juazeiro se destaca com concursos e puxadas juninas, enquanto Remanso e Uauá desenvolvem projetos que unem tradição, sustentabilidade e referências à Copa do Mundo de 2026.

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A Secretaria de Educação da Bahia (SEC) foi além das festas escolares e lançou, neste mês, a primeira edição do concurso Quadrilhas Juninas Escolares da Bahia (QJEB) 2026, iniciativa da SEC por meio da Coordenação de Políticas para as Juventudes em Processos Educacionais (COJEPE). A primeira edição será realizada em formato virtual, com produção e publicação de vídeos das apresentações, avaliadas por votação popular e engajamento nas redes oficiais no YouTube e Instagram.

A competição acontecerá em duas fases: na Territorial, o material deve ser publicado no YouTube até 26 de junho; já na Estadual, os vídeos finalistas devem ser postados no Instagram até 1º de julho. Cada quadrilha pode ter no máximo 20 integrantes, formados por estudantes regularmente matriculados e até três pessoas da comunidade escolar.

O ambiente junino nas escolas também tem dimensão regional. Nos dias 18 e 19 de junho, a Secretaria da Educação do Estado promove o Arraiá da Sustentabilidade 2026, envolvendo 999 unidades escolares na Bahia, com o tema "Crise climática e justiça ambiental: territórios, saberes e futuros possíveis". A proposta une as cores do forró com a pauta ambiental, mostrando que a festa junina pode ser também um espaço de conscientização.

No ambiente escolar, as festas juninas ganham espaço como ferramenta pedagógica, promovendo aprendizado lúdico e valorização cultural. Mais do que o som da sanfona e as bandeirinhas coloridas nos pátios, a Festa Junina consolidou-se como um dos projetos pedagógicos mais ricos e completos do ano letivo no Brasil. Na Bahia de 2026, essa tradição está viva — e está sendo ensinada com orgulho.

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