A tradicional Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, ainda não tem data confirmada para este São João. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que a realização do evento depende do cumprimento de dois requisitos: a aprovação do local escolhido para abrigar a brincadeira e a certificação dos artefatos que serão utilizados.
Segundo o MP-BA, existe atualmente uma área em fase de vistoria e adequação para receber o evento. Denominado de espadódromo, o local específico para a brincadeira está em fase de análise, após uma visita técnica realizada ao complexo esportivo da associação Adelba, no mês de maio. Até que o espaço receba aprovação dos órgãos competentes, a Guerra de Espadas permanece suspensa.
No campo dos artefatos, a Associação dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (Acesb) está trabalhando desde o ano passado para garantir a produção das espadas certificadas, tendo buscado uma fábrica regularizada de Minas Gerais. Já existe um protótipo testado que aguarda certificação, e os espadeiros estão confiantes de que terão os artefatos em breve.
O próprio presidente da Acesb, Alex Barbosa, reconheceu a dificuldade do prazo. "Talvez a gente não consiga ter tempo porque o Exército não homologa de um dia para a noite", disse ele, resumindo o principal obstáculo ainda em aberto.
A tradicional Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim poderá voltar a ser realizada após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura, o MP-BA e a Associação Cultural dos Espadeiros do município. O acordo foi formalizado em dezembro de 2025 e estabelece uma série de exigências técnicas, operacionais e de segurança para a liberação da prática, uma das manifestações culturais mais simbólicas do São João na região. Senhor do Bonfim é atualmente o único dos 417 municípios baianos com esse tipo de acordo formalizado.
O evento só poderá ocorrer em um espaço próprio, com parâmetros e protocolos técnicos específicos, chamado de espadódromo. Entre as medidas previstas, está a criação de uma área isolada com distanciamento seguro de hospitais, escolas, residências e postos de combustíveis, além de iluminação de emergência, rotas de fuga sinalizadas, brigadistas, pontos de primeiros socorros e unidades de saúde em alerta total.
O TAC determina que somente espadas certificadas poderão ser usadas, com produção obrigatória em conformidade com as normas técnicas do Exército Brasileiro. Para garantir esse controle, a Associação Cultural dos Espadeiros deverá apresentar o Certificado de Registro (CR) do fabricante e submeter os artefatos a uma vistoria prévia.
Além da Acesb e do Ministério Público da Bahia, o TAC foi assinado pelas polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, representantes do poder público municipal e do CREA-BA, que abrange diversas secretarias e entidades, como o Samu, Secretaria de Saúde, de Cultura e de Administração.
O descumprimento injustificado de qualquer cláusula resultará em multa diária de R$ 20 mil aplicada à prefeitura e à associação. O MP-BA informou que acompanha o processo em conjunto com os órgãos de segurança pública, o Corpo de Bombeiros e o Crea-BA, com o objetivo de conciliar preservação cultural e segurança dos participantes.
Na Bahia, a prática foi proibida pela primeira vez pela Vara Criminal em Cruz das Almas em 2011, em resposta à ação movida pelo Ministério Público estadual, e desde 2017 é considerada ilegal em todo o território baiano por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A manifestação é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Senhor do Bonfim desde 2007.
Em síntese, o acordo busca conciliar dois aspectos: espadas com certificado homologado pelo Exército e um local com protocolo de segurança. Se os dois requisitos forem atendidos a tempo, Senhor do Bonfim poderá registrar a primeira Guerra de Espadas legalizada da história da Bahia.






