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Seu cachorro lambe o chão com frequência? Veterinários explicam quando o hábito vira sinal de alerta

Comportamento pode ser simples curiosidade, mas também indica problemas digestivos, ansiedade ou distúrbios neurológicos — saiba o que observar antes de chamar o vet

Redação ChicoSabeTudo
01 de julho, 2026 · 07:29 3 min de leitura
Cachorro deitado no chão lambendo a superfície do piso
Cachorro deitado no chão lambendo a superfície do piso

Quem tem cachorro em casa já flagrou o bicho lambendo o piso sem motivo aparente. Na maioria das vezes, é algo inofensivo. Mas quando o comportamento se torna frequente ou compulsivo, ele pode ser um sinal de que alguma coisa não vai bem com a saúde do animal.

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Os cães possuem olfato extremamente aguçado e usam a língua para investigar o ambiente. Especialmente filhotes utilizam a boca para explorar o mundo ao redor, e lamber superfícies pode ser simplesmente um comportamento exploratório — cheiros e resíduos alimentares no chão são irresistíveis para o olfato apurado dos cães. Até aí, tudo normal.

O problema começa quando a lambedura passa a acontecer com insistência. Na medicina veterinária, a lambida constante de objetos como pisos, paredes e móveis é chamada de "lambedura excessiva da superfície" — cães com esse problema lambem frequentemente e de forma intensa carpetes, pisos, sofás ou qualquer outra superfície da casa.

Por que isso acontece?

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As causas são variadas. Cães entediados ou ansiosos tendem a desenvolver comportamentos repetitivos, como lamber o chão. Esse comportamento pode ser uma forma de aliviar o estresse ou preencher o tempo — se o animal passa longos períodos sozinho ou não recebe estímulos suficientes, pode estar recorrendo a isso como uma maneira de se acalmar.

O sistema digestivo também está na lista de suspeitos. Lamber o chão de maneira excessiva pode ser um sinal de problemas gastrointestinais, como refluxo, gastrite ou até mesmo náusea. Nesses casos, é comum observar outros sinais, como salivação excessiva, falta de apetite ou mudanças no comportamento alimentar. Um estudo da Universidade de Montreal descobriu que 14 dos 19 cães com esse problema também apresentavam anormalidades gastrointestinais, incluindo distúrbios como pancreatite crônica e giardíase.

Deficiências nutricionais podem levar o animal a buscar minerais em objetos inadequados, um quadro conhecido na veterinária como pica. Em situações mais raras, lamber o chão pode ser sinal de um distúrbio neurológico ou de comportamento compulsivo — cães que sofrem de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) podem exibir comportamentos repetitivos e incontroláveis, como lamber superfícies sem motivo aparente.

Cachorros idosos podem começar a lamber o chão pelo próprio envelhecimento, pois, assim como acontece com algumas pessoas, os cães também desenvolvem demência. Outras questões mais sérias, como tumores cerebrais, também podem causar mudanças ou comportamentos diferentes.

Cuidado com o que está no chão

Ficar lambendo o chão por onde passa não é um bom comportamento, pois o cachorro pode ingerir substâncias prejudiciais, como desinfetantes e venenos, além de se infectar com parasitas que podem estar no chão. Esse risco é maior em ambientes externos ou em casas onde se usam produtos de limpeza convencionais.

Quando procurar o veterinário?

Se o comportamento se tornar excessivo, persistente ou estiver acompanhado de outros sintomas — como letargia, vômito ou diarreia —, é essencial buscar ajuda profissional. Isso pode ser indicativo de um problema de saúde subjacente que requer atenção veterinária imediata.

O veterinário deverá analisar a rotina do cachorro, seu comportamento dentro e fora de casa, o tempo dedicado a brincadeiras e exercícios físicos, se o animal fica sozinho e por quanto tempo, se sofreu algum trauma no crânio, se tem histórico de convulsões e se existe possibilidade de intoxicação. Antes da consulta, gravar o animal enquanto ele pratica o comportamento ajuda o médico a ter uma ideia mais clara da frequência e do contexto real do problema.

O que fazer em casa?

Aumentar a carga de exercícios e oferecer brinquedos de inteligência ajuda a reduzir o tédio e a ansiedade que podem motivar o cão a lamber o chão. Manter o ambiente limpo, sem restos de alimentos, e evitar punições também faz diferença — punir o animal pode aumentar a ansiedade e piorar o quadro.

No Brasil, os cães são a companhia mais frequente nos domicílios, com mais de 62 milhões deles pelo país. Com tantos tutores, conhecer os sinais que os pets dão é parte essencial do cuidado diário. Observar mudanças de comportamento e buscar orientação profissional quando necessário continua sendo o caminho mais seguro para garantir a saúde do animal.

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