Antes de qualquer grão chegar ao mercado, existe uma etapa que muita gente ignora: garantir que o fertilizante esteja disponível no campo na hora certa. No Brasil, onde mais de 80% desses insumos vêm de fora, os portos são o primeiro elo dessa corrente. E o Porto de Aratu, na Bahia, passou por uma transformação que o coloca cada vez mais no centro dessa equação.
A CS Portos, empresa da CS Infra do Grupo Simpar, está concluindo as obras de modernização dos terminais ATU 12 e ATU 18, no Porto de Aratu, em Candeias. As instalações receberam mais de R$ 900 milhões em investimentos desde 2022, e o ATU 12 iniciou sua operação antes mesmo do prazo contratual previsto para junho de 2025.
As obras ampliaram a capacidade de movimentação do ATU 12 para até 6 milhões de toneladas ao ano — cerca de 3,5 vezes mais do que antes —, além de expandir a capacidade de estocagem para 570 mil toneladas entre armazéns e pátios, e habilitar o terminal para receber navios de até 125.000 DWT, categoria post-Panamax, com profundidade de 15 metros.
As melhorias contribuirão para a eficiência logística na distribuição de fertilizantes e demais granéis sólidos minerais, essenciais para o agronegócio e para o setor de mineração do Nordeste e do Brasil. O ATU 12 movimenta e armazena granéis sólidos minerais, como fertilizantes, concentrado de cobre, minério de manganês e coque de petróleo.
O tamanho do mercado justifica o investimento. O Brasil é o quarto maior mercado mundial de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos, respondendo por cerca de 8% da demanda global. Entre 80% e 90% dos fertilizantes consumidos no país vêm do exterior, o que expõe a produção agrícola a riscos de oferta, preço e logística.
Em 2025, foram entregues 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes ao mercado nacional, alta de 7,7% em relação às 45,61 milhões de toneladas registradas em 2024, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Soja, milho e cana-de-açúcar foram responsáveis por mais de 70% do consumo, refletindo sua importância estratégica para a produção nacional.
Para a Bahia, os números têm peso regional direto. O estado integra o MATOPIBA — faixa produtora que abrange também partes do Maranhão, Tocantins e Piauí —, uma das fronteiras agrícolas mais dinâmicas do país. Segundo dados divulgados pela fonte original, a Bahia recebeu cerca de 3,12 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025. Ter um porto preparado para receber esse volume reduz dependência de rotas mais distantes e barateia o frete para o produtor da região.
O outro terminal operado pela CS Portos complementa essa lógica. O ATU 18, voltado a granéis vegetais, terá capacidade de movimentar até 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano, com expansões previstas que podem elevar esse número a até 7,5 milhões de toneladas anuais. Essas mudanças impulsionarão o escoamento da produção do agronegócio, transformando o ATU 18 em nova porta de saída para exportações de soja e milho.
A ampliação da capacidade de operação, armazenamento e movimentação aumentará a produtividade de ambos os terminais, tornando-os comparáveis com os melhores portos do mundo, saltando das atuais 300 toneladas por hora para 2.000 toneladas. Esse potencial ajudará a impulsionar o Porto de Aratu, vice-líder de movimentações dos portos públicos da Bahia em 2024, com cerca de 6,03 milhões de toneladas e participação de 48%.
Em janeiro de 2025, o BNDES aprovou R$ 246 milhões em garantias de fianças bancárias vinculadas a financiamentos do Banco do Nordeste para investimentos da CS Infra nos terminais ATU 12 e ATU 18. O aporte reforça o caráter estratégico do projeto para além dos interesses privados — trata-se de infraestrutura que impacta a competitividade de toda uma cadeia produtiva.
A lógica é direta: fertilizante que chega mais rápido e mais barato ao campo significa lavoura melhor planejada, safra mais produtiva e mais grãos disponíveis para exportação. Os terminais também receberam atualizações nos sistemas de automação, segurança e controle ambiental, incluindo sistemas de tratamento de efluentes e um projeto de geração solar capaz de fornecer até 20% da energia consumida nas instalações. Para a Bahia, a modernização do Porto de Aratu representa uma virada logística que vai muito além dos muros do terminal.






