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Sistema anticolisão evita tragédia entre dois aviões sobre o Atlântico em rota que envolvia Recife e Guarulhos

Incidente ocorreu em 10 de julho: voo da Iberia partindo do Recife e voo da Air Europa com destino a São Paulo voaram na mesma altitude e sentidos opostos até alertas do TCAS separarem as aeronaves.

Redação ChicoSabeTudo
19 de julho, 2026 · 06:22 3 min de leitura
Representação de dois aviões comerciais cruzando rotas sobre o Oceano Atlântico
Representação de dois aviões comerciais cruzando rotas sobre o Oceano Atlântico

Dois aviões comerciais quase se chocaram sobre o Oceano Atlântico na madrugada do dia 10 de julho de 2026. De um lado, um Airbus A321 XLR da Iberia, que operava o voo IB140 entre Recife, em Pernambuco, e Madri, na Espanha. Do outro, um Boeing 787-9 Dreamliner da Air Europa, que realizava o voo UX57 entre Madri e Guarulhos, em São Paulo.

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Os dois aparelhos ocupavam a aerovia N857, em direções contrárias, mantendo o nível de voo 360 — equivalente a 36 mil pés, ou aproximadamente 10.970 metros de altitude. O incidente ocorreu por volta de 01h22 UTC, próximo à costa do Saara Ocidental, mas só veio a público após informações obtidas pelo portal especializado The Aviation Herald.

Considerando que ambas as aeronaves viajavam a cerca de 800 km/h, as duas se aproximavam uma da outra a uma velocidade combinada de aproximadamente 1.600 km/h — deixando pouquíssimo tempo para qualquer reação humana. Foi exatamente nesse momento que o sistema automático entrou em ação.

A proximidade entre as aeronaves foi suficiente para que o TCAS emitisse um Resolution Advisory (RA), o nível mais crítico de alerta do sistema, que fornece comandos obrigatórios aos pilotos para evitar uma colisão. A tripulação do Airbus da Iberia foi orientada a iniciar uma descida. Ao mesmo tempo, a tripulação do Boeing da Air Europa recebeu instrução para subir.

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O sistema é independente do controle de tráfego aéreo e funciona como a última barreira contra uma colisão. Ao receber um RA, os pilotos devem obedecer à instrução mesmo que ela contrarie temporariamente uma autorização do controlador. Em caso de ameaça de colisão, o sistema indica, de forma visual e sonora, a manobra necessária. Os sistemas dos aviões se comunicam de tal maneira que, se um recebe ordem para subir, o outro recebe para descer ou manter o nível.

A execução coordenada das manobras garantiu a separação segura entre as aeronaves. Após o incidente, os dois voos prosseguiram normalmente até seus destinos, pousando sem novos problemas.

A CIAIAC, autoridade espanhola responsável pela investigação de acidentes e incidentes aéreos, deverá analisar como dois aviões comerciais chegaram ao mesmo trecho da aerovia, na mesma altitude e em direções opostas. Entre os elementos que serão examinados estão os planos de voo, as autorizações transmitidas pelo controle das Canárias, as comunicações entre pilotos e controladores, a coordenação entre setores oceânicos e os níveis de voo inseridos nos sistemas de gerenciamento das aeronaves.

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Até o momento, nem a Iberia, nem a Air Europa, tampouco os órgãos responsáveis pela gestão do espaço aéreo apresentaram qualquer esclarecimento sobre o que originou o incidente. O episódio relembrou no Brasil o acidente de 2006, quando um Boeing da Gol e um jato executivo colidiram porque o transponder e o TCAS do jato estavam desligados — o resultado foi a morte de 154 pessoas após o Boeing perder metade de uma asa e cair em floresta no Mato Grosso.

O episódio não demonstra apenas a gravidade de uma perda de separação em altitude de cruzeiro — também comprova a importância das sucessivas barreiras empregadas pela aviação comercial. Planos de voo, regras de altitude, autorizações do controle, sistemas terrestres de alerta, vigilância das tripulações e TCAS são concebidos para funcionar em conjunto.

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