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CNPJ vai ganhar letras a partir de 31 de julho: veja o que muda e o que empresários precisam fazer

Receita Federal encerra o modelo só com números para novas inscrições; sistema ficará fora do ar em partes entre os dias 23 e 27 de julho durante a migração.

Redação ChicoSabeTudo
19 de julho, 2026 · 00:40 3 min de leitura
Tela de computador exibindo formulário de cadastro de CNPJ com campos alfanuméricos
Tela de computador exibindo formulário de cadastro de CNPJ com campos alfanuméricos

O CNPJ vai mudar de cara. A partir do dia 31 de julho de 2026, a Receita Federal começa a emitir cadastros no novo formato alfanumérico — que combina letras e números no lugar do padrão exclusivamente numérico usado há décadas. A mudança vale apenas para novas inscrições, mas exige atenção de empresários, contadores e desenvolvedores de sistemas em todo o Brasil, incluindo os da região do São Francisco.

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O motivo da alteração é técnico. O CNPJ apenas numérico estava chegando ao limite: com o crescimento contínuo do número de empresas no país, as combinações possíveis vinham se esgotando, o que ameaçava a criação de novos cadastros no futuro. Das 99.999.999 combinações possíveis de CNPJs numéricos, aproximadamente 69 milhões já foram utilizadas.

O novo documento passará a combinar letras e números, mantendo o padrão de 14 caracteres atualmente utilizado. As 12 primeiras posições passam a aceitar números de 0 a 9 e qualquer letra de A a Z, no formato AA.AAA.AAA/AAAA-DV. As posições marcadas com "A" podem ser número ou letra maiúscula, enquanto o dígito verificador, no fim, continua sendo apenas numérico.

Quem já tem CNPJ pode ficar tranquilo. Os CNPJs nos formatos numérico e alfanumérico coexistirão simultaneamente, e ambos serão plenamente válidos para todos os fins legais e operacionais. As entidades já inscritas não terão seus números alterados e não precisarão realizar qualquer procedimento de atualização cadastral.

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Antes da entrada em produção, no entanto, o sistema passará por uma janela de manutenção. Das 21h do dia 23 de julho até as 7h do dia 25 de julho, a base do CNPJ estará disponível apenas para consultas, sem permitir atualizações ou alterações cadastrais. A partir das 7h do dia 25, a base ficará totalmente indisponível. Os sistemas entram em produção a partir das 7h do dia 27 de julho, e o primeiro CNPJ alfanumérico será implementado no dia 31. Ou seja: quem precisar abrir, alterar ou baixar empresa nesse período terá de esperar.

A mudança foi formalizada pela Instrução Normativa RFB nº 2.229/2024, publicada no Diário Oficial da União em 16 de outubro de 2024. Ela também está alinhada à Reforma Tributária: a Emenda Constitucional nº 132/2023, que institui o IBS e a CBS, ampliará o universo de pessoas jurídicas obrigadas ao cadastro no CNPJ, tornando a expansão do sistema ainda mais urgente.

Para quem desenvolve ou usa sistemas de gestão, a adaptação é obrigatória. Empresas de tecnologia, fornecedores de sistemas ERP, emissores de documentos fiscais e softwares de gestão precisarão adaptar seus sistemas para aceitar o novo formato alfanumérico — atualização necessária para garantir o correto processamento de cadastros, documentos fiscais eletrônicos e integração com os sistemas da Receita Federal.

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Empresas que não se prepararem podem enfrentar rejeição de notas fiscais, erros em cadastros de clientes e fornecedores, além de falhas em conciliações financeiras. Para os escritórios contábeis, a recomendação é verificar se os sistemas já estão preparados para reconhecer CNPJs com letras e orientar clientes que pretendem abrir novas empresas nas próximas semanas sobre o cronograma de implantação.

Informações atualizadas sobre a implantação podem ser acompanhadas diretamente no portal da Receita Federal, em gov.br/receitafederal.

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