A brincadeira de soltar pipa está custando caro para os moradores de Sergipe. Segundo dados divulgados pela Energisa, distribuidora responsável pelo fornecimento de energia no estado, o primeiro semestre de 2026 terminou com 35 ocorrências causadas por pipas presas na rede elétrica — episódios que tiraram a luz de mais de 47 mil consumidores em diferentes municípios.
Aracaju lidera o ranking com 20 registros. Em seguida aparecem Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão. Na capital, os bairros Porto Dantas, Olaria e Piabeta concentram a maior incidência de casos, segundo informações divulgadas pela concessionária.
O problema não é novo. Em 2025, foram registradas 106 ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica em Sergipe, impactando o fornecimento de energia para mais de 96 mil clientes — o que mostra que os números deste ano, apesar de ainda em queda, seguem preocupando a distribuidora, especialmente com a chegada das férias de julho.
O cenário é nacional. Somente entre janeiro e maio deste ano, a Equatorial Maranhão registrou 707 ocorrências envolvendo pipas em contato ou próximas da rede elétrica em todo o estado. No Pará, a Equatorial registrou 994 interrupções no fornecimento provocadas pelo contato de pipas com a rede elétrica apenas nos quatro primeiros meses de 2026. O problema se repete em Goiás, Tocantins e em praticamente todo o Brasil durante o período de férias.
O gerente de Operações da Energisa Sergipe, Thyago Tanouss, orienta que a brincadeira seja feita apenas em áreas abertas e distantes dos fios. A recomendação é direta: jamais tentar retirar uma pipa presa na fiação. Qualquer tentativa de retirar o brinquedo por conta própria pode resultar em choque elétrico fatal. As interrupções afetam diretamente residências, comércios, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais, podendo deixar milhares de consumidores sem energia simultaneamente.
O risco se agrava quando são usados cerol ou linha chilena na confecção das pipas. O uso de cerol ou da linha chilena é considerado crime pelo Código Penal Brasileiro. A formulação do cerol pode conter limalha de ferro, substância que provoca curtos-circuitos e choques. O cerol e a linha chilena também podem provocar acidentes graves com motociclistas, ciclistas e pedestres, além de danificar cabos da rede elétrica.
A Energisa informa que mantém monitoramento permanente por meio do Centro de Operação Integrado e utiliza equipamentos automatizados para reduzir o impacto das interrupções. Ainda assim, a orientação é que a população faça sua parte: nunca empine pipas perto da rede elétrica; caso a pipa fique presa nos fios, jamais tente retirá-la utilizando varas, galhos ou qualquer outro objeto; evite empinar pipas em dias de ventos muito fortes.
Em caso de fios caídos ou pipa presa na fiação, a orientação é manter distância e acionar a Energisa pelo telefone 0800 079 0196, disponível 24 horas. O atendimento também pode ser feito pelo aplicativo Energisa On ou pelo WhatsApp da assistente virtual Gisa, no número (79) 98101-0715.







