Vários filhotes de tartaruga marinha morreram atropelados na noite desta quarta-feira (17), ao tentarem atravessar a AL-101, no bairro de Guaxuma, em Maceió (AL). Moradores encontraram os animais no asfalto e iniciaram uma força-tarefa para resgatá-los, levando-os até a faixa de areia na tentativa de direcioná-los ao mar. A causa, segundo especialistas, tem nome: fotopoluição.
De acordo com o biólogo Bruno Stefanis, presidente do Instituto Biota de Conservação, o problema tem exigido atuação emergencial das equipes de monitoramento. "A gente está tendo que atrair elas com as luzes para a praia, porque estão indo em direção às luzes artificiais do outro lado", explicou Stefanis, conforme informações divulgadas pelo portal Cada Minuto.
A fotopoluição ocorre quando o excesso de iluminação artificial em áreas costeiras interfere no comportamento dos animais. No caso das tartarugas, o mecanismo é simples e fatal: quando saem do ninho, os filhotes se guiam pela fonte luminosa mais intensa. Em condições naturais, o horizonte marinho é sempre o que mais ilumina. Por isso, a iluminação artificial — de postes, carros e casas — coloca em risco a vida das novas tartaruguinhas, que se desorientam e acabam seguindo a luz artificial, morrendo por desidratação, cansaço ou atropelamento.
O problema não atinge só os filhotes. A fotopoluição prejudica também as tartarugas marinhas adultas, que se desorientam quando sobem à praia para desovar e acabam retornando ao mar sem depositar seus ovos.
O caso de Guaxuma não é isolado. Em fevereiro de 2025, filhotes de tartaruga-oliva já haviam sido encontrados desorientados na mesma região, com alguns sendo atropelados na pista. Na ocasião, o Instituto Biota chegou a elaborar mapas para auxiliar a empresa responsável pela iluminação de Maceió a reduzir os impactos da luz artificial na desorientação das tartarugas recém-nascidas.
Em nível nacional, o tema ganhou destaque em novembro de 2024, quando o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade do Leste do ICMBio organizou, em Salvador (BA), o workshop "A Fotopoluição e as Tartarugas Marinhas", reunindo pesquisadores, profissionais do setor público e privado, estudantes e especialistas em arquitetura e urbanismo.
Uma das medidas regulatórias em andamento no Brasil envolve a cor da iluminação viária. Para as tartarugas marinhas, as cores que geram menor impacto de desorientação são aquelas situadas entre os espectros de luz amarela e laranja pura — as chamadas cores quentes. A NBR 5101:2024 concretiza o uso de lâmpadas de cores quentes em detrimento das lâmpadas de cor branca, atualmente mais utilizadas.
Quem encontrar filhotes de tartaruga em situação de risco pode ajudar: o Instituto Biota orienta que os animais sejam colocados na areia próximo à água, permitindo que caminhem antes de entrar no mar. Se estiverem muito exaustos, devem ser posicionados diretamente na beira da água. O contato com o instituto pode ser feito pelas redes sociais.







