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Luz artificial mata filhotes de tartaruga em Maceió: entenda o que é fotopoluição e por que ela é tão perigosa

Animais encontrados atropelados na AL-101, em Guaxuma, foram vítimas de um fenômeno que desorienta filhotes recém-nascidos e os afasta do mar

Redação ChicoSabeTudo
18 de junho, 2026 · 12:16 2 min de leitura
Filhotes de tartaruga marinha na areia de praia sendo direcionados ao mar
Filhotes de tartaruga marinha na areia de praia sendo direcionados ao mar

Vários filhotes de tartaruga marinha morreram atropelados na noite desta quarta-feira (17), ao tentarem atravessar a AL-101, no bairro de Guaxuma, em Maceió (AL). Moradores encontraram os animais no asfalto e iniciaram uma força-tarefa para resgatá-los, levando-os até a faixa de areia na tentativa de direcioná-los ao mar. A causa, segundo especialistas, tem nome: fotopoluição.

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De acordo com o biólogo Bruno Stefanis, presidente do Instituto Biota de Conservação, o problema tem exigido atuação emergencial das equipes de monitoramento. "A gente está tendo que atrair elas com as luzes para a praia, porque estão indo em direção às luzes artificiais do outro lado", explicou Stefanis, conforme informações divulgadas pelo portal Cada Minuto.

A fotopoluição ocorre quando o excesso de iluminação artificial em áreas costeiras interfere no comportamento dos animais. No caso das tartarugas, o mecanismo é simples e fatal: quando saem do ninho, os filhotes se guiam pela fonte luminosa mais intensa. Em condições naturais, o horizonte marinho é sempre o que mais ilumina. Por isso, a iluminação artificial — de postes, carros e casas — coloca em risco a vida das novas tartaruguinhas, que se desorientam e acabam seguindo a luz artificial, morrendo por desidratação, cansaço ou atropelamento.

O problema não atinge só os filhotes. A fotopoluição prejudica também as tartarugas marinhas adultas, que se desorientam quando sobem à praia para desovar e acabam retornando ao mar sem depositar seus ovos.

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O caso de Guaxuma não é isolado. Em fevereiro de 2025, filhotes de tartaruga-oliva já haviam sido encontrados desorientados na mesma região, com alguns sendo atropelados na pista. Na ocasião, o Instituto Biota chegou a elaborar mapas para auxiliar a empresa responsável pela iluminação de Maceió a reduzir os impactos da luz artificial na desorientação das tartarugas recém-nascidas.

Em nível nacional, o tema ganhou destaque em novembro de 2024, quando o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade do Leste do ICMBio organizou, em Salvador (BA), o workshop "A Fotopoluição e as Tartarugas Marinhas", reunindo pesquisadores, profissionais do setor público e privado, estudantes e especialistas em arquitetura e urbanismo.

Uma das medidas regulatórias em andamento no Brasil envolve a cor da iluminação viária. Para as tartarugas marinhas, as cores que geram menor impacto de desorientação são aquelas situadas entre os espectros de luz amarela e laranja pura — as chamadas cores quentes. A NBR 5101:2024 concretiza o uso de lâmpadas de cores quentes em detrimento das lâmpadas de cor branca, atualmente mais utilizadas.

Quem encontrar filhotes de tartaruga em situação de risco pode ajudar: o Instituto Biota orienta que os animais sejam colocados na areia próximo à água, permitindo que caminhem antes de entrar no mar. Se estiverem muito exaustos, devem ser posicionados diretamente na beira da água. O contato com o instituto pode ser feito pelas redes sociais.

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