A Bahia perdeu, em média, oito pessoas por dia no trânsito em 2025. O número vem de levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e ilustra uma realidade que se repete ano após ano: a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), cerca de 90% dos acidentes registrados no estado estão ligados à falha humana.
Velocidade acima do limite, ultrapassagens perigosas, direção sob efeito de álcool, uso do celular ao volante e desatenção aparecem, repetidamente, nos boletins de ocorrência. "Falha humana está associada a tudo isso: excesso de velocidade, falta de uso de capacete, falta de cuidados, falta de respeito à sinalização do trânsito, alcoolemia", afirmou o diretor-geral do Detran-BA, Max Passos, segundo informações divulgadas pelo BNews.
As motos concentram o problema. Cerca de 71% dos acidentes registrados no estado envolvem motociclistas, de acordo com o Detran-BA. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforçam o retrato: em 2025, foram registrados 1.658 acidentes com motos nas rodovias federais baianas, que deixaram 1.863 pessoas feridas e 179 mortas. Só nos quatro primeiros meses de 2026, já foram 555 ocorrências, com 655 feridos e 55 óbitos.
A conta chega à saúde pública. As internações decorrentes de acidentes com motocicletas custaram cerca de R$ 148,6 milhões à rede hospitalar da Secretaria de Saúde do Estado em 2025 — alta em relação aos R$ 138 milhões registrados em 2024 e aos R$ 115,8 milhões de 2023. Além disso, dados divulgados pelo Detran-BA apontam que 60% das ocupações de leitos de UTI no estado estão relacionadas a sinistros de trânsito.
O celular virou um dos maiores vilões das estradas. Segundo a PRF, a desatenção causada pelo uso do aparelho durante a condução está entre os principais fatores por trás de acidentes nas rodovias federais. A fonte original cita ainda um estudo que compara digitar uma mensagem a 40 km/h a percorrer cerca de 50 metros com os olhos fechados — uma imagem que ilustra bem o risco.
O perfil das vítimas é bem definido. Levantamento da SEI mostra que, de cada dez mortos no trânsito baiano, oito eram homens. Os jovens entre 20 e 29 anos respondiam por cerca de um quarto das vítimas fatais em 2025. A secretária de Saúde do Estado, Roberta Santana, destaca que muitos motociclistas usam a moto como ferramenta de trabalho — motoboys, entregadores por aplicativo e mototaxistas — o que amplia o impacto social dos acidentes.
Casos reais mostram as consequências. Segundo informações divulgadas pelo Detran-BA, o atleta Emerson Pinheiro foi atropelado por um motorista alcoolizado enquanto treinava corrida no bairro da Pituba, em Salvador, e teve uma das pernas amputadas. Já o estudante Ian Peterson ficou semanas hospitalizado após sofrer múltiplas lesões em um acidente durante corrida de Uber Moto na Avenida Paralela. Lorena Costa foi atingida por um motociclista que tentou ultrapassar na contramão, na região da Federação.
Para especialistas, fiscalização sozinha não resolve. O psicólogo perito de trânsito Antônio Israel, citado na reportagem original do BNews, alerta que jovens motoristas tendem a subestimar riscos: "Eles acabam achando que podem tudo, e entram as questões pessoais, os comportamentos de risco, excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas." O diretor do Detran-BA defende que a saída passa pela educação: "Se a gente investir primeiro em educação e depois em fiscalização, eu acho que é o caminho."
O Maio Amarelo 2026, cujo tema é "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas", reúne blitzes educativas, palestras, ações nas escolas e campanhas em todo o estado até o fim deste mês. As atividades são coordenadas pelo Detran-BA em parceria com secretarias de Educação e Saúde, além de órgãos de segurança pública. Mas os números mostram que o desafio é cultural — e está longe de ser resolvido apenas com campanhas de um mês.







