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Estudo aponta riscos climáticos e propõe fundo estadual na Bahia

Diagnóstico recomenda medidas contra seca, deslizamentos e falta de água para o próximo governo da Bahia

Redação ChicoSabeTudo
23 de setembro, 2026 · 18:56 3 min de leitura

Um diagnóstico elaborado pelo Centro Brasil no Clima (CBC) mapeou os principais riscos climáticos da Bahia e propôs uma série de medidas para enfrentá-los. O levantamento aponta impactos na disponibilidade de água do semiárido, no risco de deslizamentos nas cidades, na produção agrícola, na conservação dos biomas e na geração de energia.

O material foi usado para elaborar cartas de recomendação enviadas a candidatos ao governo do estado, com foco na gestão que assume em 2027 e vai até 2030. A iniciativa faz parte de um diagnóstico climático regional que o CBC preparou para os 26 estados e o Distrito Federal, organizando propostas em quatro eixos: governança e legislação, energia e mobilidade, uso do solo e biodiversidade, e adaptação a riscos.

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Segundo o estudo, a Bahia ainda não tem instrumentos de planejamento climático de médio e longo prazo, como metas mensuráveis para redução de riscos. Por isso, o CBC recomenda a criação de um Fundo Estadual de Mudanças Climáticas, que direcionaria investimentos públicos para a agenda climática e ajudaria a atrair recursos privados e internacionais.

"Sem um fundo específico, o estado perde a capacidade de alavancar recursos internacionais, como fundos globais de clima, que exigem governança e contrapartida financeira estruturada", afirma Fernanda Westin, pesquisadora e gerente do Centro Brasil no Clima.

No semiárido baiano, a preocupação central é com a seca e a desertificação. O aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas podem acelerar a degradação dos solos e a escassez de água na região. O CBC recomenda ampliar a segurança hídrica, fortalecer políticas de combate à desertificação e mapear áreas de risco geológico e de inundação.

Fernanda Westin afirma que o avanço da desertificação pode provocar perda de terras agricultáveis, esvaziamento econômico de municípios, migração rural-urbana e problemas no abastecimento de água. Segundo ela, esses efeitos também aumentariam os custos de assistência social e saúde pública.

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Nas cidades e na faixa costeira, o diagnóstico destaca o aumento de eventos extremos de chuva, que amplia riscos de deslizamentos e alagamentos, além da elevação do nível do mar, que pressiona a infraestrutura e o turismo na costa. Já no Cerrado do oeste baiano, mudanças no regime de chuvas e ondas de calor podem afetar a água usada pela agricultura da região.

O documento também trata do potencial energético do estado. Ele recomenda consolidar a Bahia como polo de hidrogênio verde e de cadeias industriais de baixo carbono, aproveitando a geração eólica e solar para impulsionar a reindustrialização do Polo Industrial de Camaçari e dos complexos de Aratu e Salvador. Uma das propostas é condicionar incentivos fiscais e licenças à instalação de fabricantes de componentes como pás eólicas, inversores, placas solares e eletrolisadores no território baiano, segundo Westin.

O Fórum de Powershoring, iniciativa ligada a esse eixo, busca mobilizar R$ 77 bilhões em investimentos regionais entre 2027 e 2030, de acordo com o levantamento.

Na área ambiental, a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) participou, em setembro, de uma oficina em Brasília para a construção do Atlas das Áreas Suscetíveis à Desertificação, iniciativa do Observatório da Caatinga que reúne instituições públicas e organizações da sociedade civil. O atlas pretende identificar, com base em dados públicos e conhecimento territorial, as regiões mais vulneráveis ao avanço da desertificação no semiárido.

O CBC também registrou que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Bahia teve a menor área sob alertas de desmatamento no Cerrado desde o início da série histórica do sistema de monitoramento Deter, iniciada em 2017/2018. O estudo ressalva que os alertas indicam possíveis alterações na cobertura vegetal, mas não confirmam, isoladamente, uma infração ambiental.

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