A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta quarta-feira (23) a Operação Fake Card para investigar um esquema de fraude envolvendo cartões de vale-alimentação e vale-refeição. A ação apura irregularidades cometidas por uma empresa que administrava benefícios de servidores em centenas de municípios pelo país.
O caso teve origem em Barro Alto, no interior de Goiás, onde a prefeitura havia contratado a empresa para gerenciar os cartões usados pelos servidores municipais. Segundo a investigação, o município repassava mensalmente os valores integrais, mas a empresa deveria repassar esse dinheiro aos comerciantes credenciados, onde os servidores faziam as compras.
De acordo com a Polícia Civil, os pagamentos aos comerciantes de Barro Alto começaram a atrasar em 2025 e foram interrompidos por completo em setembro daquele ano. O prejuízo aos estabelecimentos da cidade já ultrapassa R$ 800 mil, segundo a apuração. Um único comércio relatou perda superior a R$ 200 mil.
A investigação, que começou na Delegacia de Polícia de Barro Alto e passou a ser conduzida pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), ligado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), identificou que a empresa mantinha contratos com mais de 220 municípios em nove estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Segundo a Polícia Civil, a empresa teria vencido as licitações oferecendo descontos que chegavam, em média, a 17%, podendo alcançar até 30,5%. A suspeita da polícia é de que o esquema funcionava de forma parecida com uma pirâmide financeira: o dinheiro recebido em contratos novos era usado para cobrir pagamentos atrasados de contratos antigos. Quando a entrada de novos municípios diminuiu, o esquema teria entrado em colapso.
Ainda de acordo com a investigação, os responsáveis pela empresa teriam alegado aos comerciantes que a companhia havia sofrido um ataque de hackers e chegaram a citar um processo criminal que, segundo a apuração policial, não existe na Justiça de São Paulo. A Polícia Civil afirma que a empresa responde a centenas de processos judiciais em diferentes estados.
A polícia também suspeita que o grupo usava outras empresas ligadas aos investigados, além de contas pessoais, para lavar o dinheiro recebido e dificultar o rastreamento dos valores.
Nesta quarta-feira, a operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Barueri, Limeira e São Paulo, todos no estado de São Paulo. Também foram expedidos três mandados de prisão temporária. Até o momento da publicação desta reportagem, a Polícia Civil de Goiás havia confirmado duas prisões. A ação teve apoio da Polícia Civil de São Paulo e do CiberLab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Justiça determinou ainda o sequestro e o bloqueio de bens e valores no total de R$ 1 milhão. A reportagem apurou que a medida atingiu recursos de quatro pessoas físicas e três empresas.
Até a publicação desta matéria, não havia comunicado oficial da Polícia Civil de Goiás disponível ao público sobre a operação, e não foi localizado vínculo confirmado entre a investigação e municípios da região de Paulo Afonso.







