Alagoas teve uma queda expressiva no número de mortes no trânsito em 2025. Segundo relatório divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), o estado registrou 682 óbitos em 3.037 sinistros ao longo do ano — contra 805 mortes em 3.517 ocorrências em 2024. A redução é de 15,3% nas mortes e de 13,7% no total de acidentes.
Apesar do avanço, o perfil das vítimas segue preocupante. Os motociclistas respondem por 59% de todos os óbitos registrados em 2025 no estado. O dado reflete uma tendência nacional: a participação das motos nas mortes por acidentes de trânsito passou de 3% no fim dos anos 1990 para quase 40% em 2023, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em sete estados brasileiros, as mortes por acidentes com motos correspondem a mais da metade das ocorrências fatais no trânsito. Pesquisadores apontam que o aumento no número de mortes está ligado à maior presença de motocicletas nas ruas, especialmente nas regiões mais pobres, já que é um veículo mais acessível e de custo operacional baixo.
As vias com maior concentração de sinistros em Alagoas, segundo o levantamento, foram as rodovias BR-101, BR-316 e AL-220, na região de Arapiraca. Na capital, Maceió, os trechos mais críticos ficaram nas avenidas Fernandes Lima, Menino Marcelo e Durval de Góes Monteiro.
O chefe de Segurança de Trânsito do Detran/AL, Renan Silva, elencou as principais causas dos acidentes: ingestão de álcool, tráfego na contramão, sonolência ao volante e velocidade incompatível com a via. Para ele, o problema vai além da fiscalização. "A segurança viária é uma questão de saúde pública e de justiça social", afirmou, defendendo que o trânsito precisa deixar de ser um espaço de risco tolerado para se tornar um ambiente de convivência cidadã.
O diretor-presidente do Detran/AL, Marco Fireman, destacou que o relatório é uma ferramenta central para a tomada de decisões pelos órgãos de trânsito. Segundo ele, o estado tem investido em educação para o trânsito desde a idade escolar, além de reforçar a fiscalização e a infraestrutura viária. "Nenhuma morte no trânsito é aceitável", declarou o gestor.
Entre janeiro e agosto de 2025, a Operação Lei Seca realizou 338 ações, com mais de 37 mil testes do bafômetro aplicados e 852 casos de alcoolemia identificados. O órgão também investiu em novos equipamentos para a operação, como motocicletas, etilômetros e drones.
Os dados do relatório foram obtidos junto a diferentes órgãos, como o Corpo de Bombeiros, o Samu, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Civil e a Rede Hospitalar de Alagoas, entre outros. O cruzamento de fontes distintas dá ao documento uma base ampla para orientar políticas públicas de segurança viária no estado.
O cenário alagoano vai na contramão do quadro nacional. A taxa de mortes causadas por acidentes de trânsito no Brasil voltou a crescer, alcançando 16,2 óbitos a cada grupo de 100 mil habitantes em 2023, alta de 2,5% ante 2022. O país tem a meta de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030, compromisso assumido no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).







