O Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), gerido pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), registrou crescimento na taxa de positividade da esporotricose. Segundo dados da unidade, desde 2023 foram realizados 96 exames em humanos, dos quais 57 tiveram resultado positivo. Só entre 2024 e 2026, foram confirmados 53 casos — concentração que acende o alerta para a vigilância epidemiológica no estado.
O Lacen é a referência laboratorial para os 75 municípios sergipanos e está apto a receber amostras de qualquer unidade de saúde com suspeita clínica da doença. O superintendente da unidade, Cliomar Alves, destaca que o diagnóstico precoce é o ponto central do combate. "Quanto mais diagnósticos, maior nossa vigilância, tanto epidemiológica quanto laboratorial", afirmou, segundo informações divulgadas pela Fundação de Saúde Parreiras Horta.
O cenário em Sergipe acompanha uma tendência nacional preocupante. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2023 foram atendidos 1.239 indivíduos diagnosticados com a infecção causada por fungos do gênero Sporothrix, e mais 945 casos foram registrados só até junho de 2024. A situação se tornou grave o suficiente para que, a partir de 2025, a esporotricose humana passasse a integrar a lista nacional de doenças de notificação compulsória, com registro obrigatório no Sinan.
Em Sergipe, as medidas foram além. Uma lei estadual sancionada em 2025 torna obrigatória a notificação de casos suspeitos e confirmados de esporotricose em animais aos serviços de vigilância em saúde municipais e estadual. A notificação deve ser realizada em até 24 horas a partir da suspeita ou confirmação da ocorrência da doença pelo profissional de saúde ou médico veterinário.
Os animais são o principal vetor de atenção. Segundo informações divulgadas pelo Lacen, desde 2022 foram realizados 446 exames em animais, com 250 resultados positivos. Aracaju concentra a maior parte dos registros animais — 148 casos positivos —, seguida por Barra dos Coqueiros (36) e Nossa Senhora do Socorro (35). No Brasil, as notificações em gatos saltaram de 1.412 casos em 2022 para 3.290 em 2023.
A doença é causada por fungos do gênero Sporothrix e se manifesta em humanos por lesões na pele, geralmente nos braços, pernas ou rosto, em formato de fileira de nódulos. Em casos mais graves, pode evoluir para formas extra cutâneas e sistêmicas, atingindo órgãos como pulmões, fígado, baço, ossos e sistema nervoso central. O fungo também habita o solo, palhas, vegetais e madeiras, sendo transmitido por materiais contaminados como farpas ou espinhos. Os gatos são uma importante fonte de infecção, podendo transmitir a esporotricose por arranhadura, mordedura e contato com secreções de lesões cutâneas.
O contexto regional também exige atenção. Na Bahia, em 2024, os casos de esporotricose humana tiveram predomínio entre pessoas do sexo feminino, na faixa etária de 35 a 64 anos, sendo que o município de Salvador respondeu por 49,3% dos casos registrados no estado.
Para fortalecer a rede de vigilância, o Lacen promove capacitações regulares para profissionais dos municípios sergipanos, com orientações sobre coleta, acondicionamento e envio de amostras. Autoridades alertam para a subnotificação, já que parte significativa dos atendimentos ocorre em clínicas veterinárias privadas e nem sempre é registrada nos sistemas oficiais de vigilância epidemiológica. Quem apresentar lesões de pele após contato com animais deve buscar atendimento médico e comunicar o caso à unidade de saúde mais próxima.







