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Saúde

São João na Bahia deixa 54 feridos e um morto em seis dias; crianças estão entre as vítimas

Dados da Secretaria de Saúde do estado apontam aceleração dos acidentes com fogos e fogueiras durante os festejos juninos; Hospital Regional de Juazeiro integra a rede de atendimento.

Redação ChicoSabeTudo
24 de junho, 2026 · 09:48 3 min de leitura
Fogueira acesa durante os festejos juninos na Bahia
Fogueira acesa durante os festejos juninos na Bahia

Os festejos juninos na Bahia deixaram um rastro de feridos em apenas seis dias. Segundo dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), entre 18 e 23 de junho de 2026 foram registrados 54 casos de pessoas queimadas em todo o estado — e uma morte. A vítima fatal foi atingida por uma espada de fogo em Sapeaçu, no Recôncavo Baiano.

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Do total de atendimentos, 34 pacientes foram encaminhados ao Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, unidade de referência para esse tipo de ocorrência no estado. As demais vítimas foram distribuídas entre o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, o Hospital Geral Prado Valadares (Jequié), o Hospital do Oeste (Barreiras) e o Hospital Regional de Juazeiro — este último de especial importância para quem vive na região do São Francisco e no norte da Bahia, incluindo Paulo Afonso e cidades vizinhas.

Entre as vítimas, há crianças. A mais nova tinha apenas dois anos de idade, segundo informações da Sesab. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), menores de cinco anos concentram mais da metade das internações pediátricas por queimaduras no Brasil — grupo que respondeu por 53,8% das internações registradas no SUS entre 2024 e 2025.

Os números de 2026 são menores do que os registrados no mesmo período dos anos anteriores, mas ainda preocupam as autoridades. Segundo a Sesab, em 2025 foram contabilizadas 72 ocorrências entre 18 e 25 de junho, enquanto 2024 registrou 66 casos entre os dias 20 e 25 do mesmo mês.

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Os acidentes têm como principais causas o uso de fogos de artifício e contato com fogueiras. Casos assim envolvem espadas, bombas, buscapés, pólvora e outros artefatos explosivos típicos do período junino. A prática da Guerra de Espadas é proibida pela Justiça baiana desde 2017, decisão que visa coibir a fabricação, transporte, comercialização e utilização desses artefatos devido aos altos riscos envolvidos. Mesmo assim, a tradição persiste clandestinamente em várias cidades do estado.

A Polícia Civil da Bahia reforçou, em nota, que o porte, posse, armazenamento, transporte e uso de espadas de fogo continuam proibidos. A conduta pode ser enquadrada no artigo 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei Federal nº 10.826/2003), com pena de três a seis anos de reclusão e sem direito a fiança em casos de flagrante. Durante o mês de junho, a Polícia Civil realizou operações em várias regiões do estado e apreendeu fogos de artifício e outros artefatos irregulares.

Segundo a Sesab, o reforço nos hospitais se justifica pelo histórico de internações por queimaduras com fogos de artifício durante as festas juninas. Tradicionalmente, junho é o mês que concentra mais ocorrências desse tipo ao longo do ano.

Para quem se machucar, as orientações das autoridades de saúde são claras: é indicado esfriar o local ferido com água corrente por vários minutos, evitando tocar na queimadura, aplicar gelo, furar bolhas, descolar tecidos grudados ou usar substâncias inadequadas como manteiga ou creme dental. Casos mais graves devem ser encaminhados diretamente às unidades de referência — o HGE em Salvador, o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, o Hospital do Oeste em Barreiras e o Hospital Regional de Juazeiro.

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