A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta segunda-feira (17), a segunda fase da Operação Neurodignos, que apura irregularidades na prestação de serviços a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Salvador. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em unidades de saúde localizadas nos bairros do Itaigara, Horto Florestal, Amaralina e Ondina.
Segundo a Polícia Civil, as equipes recolheram documentos, prontuários, registros de atendimento e três aparelhos celulares durante a ação, materiais que passarão por perícia ao longo da investigação. A corporação afirma que a intenção é apurar se as clínicas oferecem as condições técnicas necessárias para o cuidado adequado dos pacientes.
Essa etapa da operação foi motivada por denúncias apresentadas por pais de crianças atendidas nos estabelecimentos e pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP), registradas desde janeiro deste ano. A ação é conduzida pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), por meio da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), com participação de equipes do CRP, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e do Procon-BA.
A Operação Neurodignos não é inédita. A primeira fase foi deflagrada em outubro de 2025 e investigou um plano de saúde de atuação nacional e clínicas credenciadas em Salvador, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em bairros como Pituba, Stiep, Barra, Trobogy, Garibaldi e Ondina. Na ocasião, as apurações apontaram indícios de estelionato, falsidade ideológica, exercício ilegal da profissão e publicidade enganosa, além de denúncias de que algumas clínicas anunciavam equipes multidisciplinares sem contar com profissionais habilitados nas áreas divulgadas.
Segundo a Polícia Civil, a investigação continua, com novas diligências previstas para aprofundar a apuração, examinar o material recolhido nesta segunda-feira e reunir provas que confirmem ou afastem as suspeitas de irregularidades no atendimento a crianças com TEA na capital baiana.







