Um laboratório da Universidade Federal de Viçosa (UFV) conseguiu produzir, pela primeira vez no mundo, embriões de jumentos nordestinos em laboratório. O feito usou material coletado em uma fazenda próxima à Chapada Diamantina, na Bahia, a cerca de 250 quilômetros de Salvador (F1.a; F1.f).
O trabalho é parte do mestrado de Frederico Freitas, do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, orientado pela professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia (F1.e). A coleta de oócitos aconteceu durante visita técnica à Fazenda Jegue Land e contou também com os pesquisadores Gustavo Carneiro, da UFRPE, e Jorge Lucena, da UFAPE (F1.c; F1.m).
Segundo a UFV, a parceria com a Jegue Land começou há cerca de seis meses. A fazenda é descrita pela universidade como localizada no sertão baiano e pensada para funcionar como espaço experimental de pesquisa e desenvolvimento da criação de jumentos no Semiárido (F3.a; F3.b; F3.d). Outras coberturas da pesquisa situam a propriedade na região próxima à Chapada Diamantina (F1.f; F5.b).
Depois de coletado, o material foi levado ao Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), da UFV, onde passou pelas etapas de produção in vitro (F1.g). A equipe usou a técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI), que seleciona um único espermatozoide e o insere diretamente em um óvulo maduro (F1.d). Nove dias após o início do cultivo, os primeiros embriões foram vitrificados, processo de congelamento ultrarrápido que permite guardá-los para uso futuro (F1.h; F1.i).
Para a equipe, o resultado representa um avanço nas biotecnologias reprodutivas aplicadas a jumentos nordestinos e abre uma nova linha de pesquisa na UFV (F1.j; F1.o). "Estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados até agora e otimistas com as próximas etapas. Ainda há poucos estudos sobre ICSI em asininos, por isso cada avanço ajuda a compreender melhor a técnica e pode contribuir para outras pesquisas nessa área, no Brasil e em outros países", disse Frederico Freitas (F1.c1).
Yamê Fabres destacou que os resultados do primeiro teste já são considerados promissores. "Conseguir produzir e vitrificar esses embriões já no primeiro teste piloto é um passo muito importante para a nossa equipe. Ainda precisamos aperfeiçoar o protocolo e avaliar se os embriões podem estabelecer gestações após a transferência. Ao mesmo tempo, esse resultado abre uma nova frente de pesquisa para a conservação genética e o melhoramento genético de jumentos nordestinos", afirmou a pesquisadora (F1.c2; F1.n).
O avanço ocorre em meio à queda acentuada da população de jumentos no Brasil. De acordo com dados de FAO, IBGE e Agrostat, apurados pela The Donkey Sanctuary no Brasil, o rebanho nacional caiu 94% entre 1999 e 2024 (F1.k).
Nas próximas etapas, os pesquisadores pretendem aperfeiçoar a técnica e aumentar a eficiência da produção de embriões. A ideia é transferir os embriões para jumentas e mulas receptoras, acompanhar o estabelecimento das gestações e avançar até o nascimento dos primeiros animais gerados pelo método (F1.p; F1.q).







