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Médicos alertam: usar insulina para ganhar músculo pode matar em minutos

Morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, acende debate sobre o perigo do hormônio usado fora de prescrição; especialistas explicam como a hipoglicemia pode evoluir rapidamente para coma e óbito.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
25 de maio, 2026 · 12:31 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos, reabriu uma discussão urgente no meio esportivo: o uso de insulina fora de prescrição médica, prática que vem crescendo entre atletas de musculação e fisiculturistas em busca de ganho muscular rápido. O caso está sendo investigado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo como "morte suspeita – morte súbita". A causa oficial ainda depende de exames periciais.

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Nas semanas anteriores à morte, Ganley publicou vídeos em que relatava mal-estar após utilizar insulina como parte da estratégia para ganho muscular. Em uma das gravações, o influenciador contou ter sofrido "confusão mental" e precisado da ajuda de um amigo depois da aplicação do hormônio. O perigo é ainda maior para quem usa a insulina sem prescrição médica — especialmente se estiver em dieta restritiva de carboidratos, como é comum entre fisiculturistas nos dias que antecedem uma competição.

Endocrinologistas ouvidos pela imprensa nacional explicam o mecanismo por trás do uso irregular. A reputação da insulina no fisiculturismo vem do fato de ela ser um dos hormônios mais anabólicos do corpo humano, superando até mesmo a testosterona em alguns aspectos metabólicos. A substância não constrói músculos diretamente — o que ela faz é aumentar a entrada de glicose e aminoácidos nas células musculares, criando um ambiente favorável para crescimento muscular e recuperação acelerada.

Mas o risco é imediato e grave. "O uso da insulina fora das indicações médicas cria uma situação extremamente perigosa. Pequenos erros na dose ou atraso na alimentação podem desencadear uma hipoglicemia grave, com risco real de convulsões, edema cerebral e morte súbita", alertou o endocrinologista Renato Redorat, de São Paulo.

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Flávia Coimbra Pontes Maia, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a hipoglicemia tem duas fases: a de alerta, quando a pessoa começa com suor frio, tremedeira e sensação de fome; e a fase grave, quando a glicose cai tanto que o cérebro fica sem combustível — podendo gerar confusão mental, irritabilidade, perda de consciência, coma e morte. Especialistas ressaltam que muitas pessoas desconhecem a rapidez com que uma hipoglicemia severa pode evoluir: em situações extremas, a queda abrupta da glicose compromete o funcionamento cerebral em poucos minutos e, sem atendimento rápido, o quadro pode se tornar irreversível.

No universo do fisiculturismo extremo, a insulina raramente é usada sozinha. O mais comum é a associação de várias substâncias ao mesmo tempo — prática conhecida como polifarmácia — que inclui esteroides anabolizantes, diuréticos e hormônios tireoidianos. Segundo especialistas, além da hipoglicemia, há riscos de doenças cardiovasculares, morte súbita, arritmia cardíaca e embolia pulmonar.

De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o uso indevido de substâncias hormonais com fins estéticos cresceu 75% nos últimos dez anos no Brasil. Médicas alertam que muitas pessoas que usam anabolizantes acabam se tornando influência para jovens, que passam a adotar as mesmas substâncias sem entender as consequências para a saúde.

Flavio Pirozzi, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes de São Paulo, afirma que o uso recreativo da insulina representa uma distorção perigosa de um medicamento criado para salvar vidas: "Transformar uma medicação tão séria em um atalho para fins estéticos coloca a vida em risco de maneira desnecessária". A mensagem de todos os especialistas consultados é unânime: nenhuma sociedade médica recomenda o uso de insulina ou de anabolizantes para fins estéticos.

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