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Saúde

Imunologista dispara: adulto que abandona a vacina não decide só pelo próprio corpo

Dr. Renato Praxedes alerta que a falsa sensação de segurança e o esquecimento das doses de reforço expõem adultos a internações, sequelas e colocam em risco pessoas vulneráveis ao redor.

Redação ChicoSabeTudo
16 de junho, 2026 · 06:35 3 min de leitura
Seringa e frasco de vacina sobre fundo azul, representando a importância da imunização em adultos
Seringa e frasco de vacina sobre fundo azul, representando a importância da imunização em adultos

Enquanto as salas de vacinação ficam cheias nas campanhas voltadas a crianças, os postos de saúde enfrentam um silêncio preocupante quando o público é adulto. Para o médico imunologista Dr. Renato Praxedes, esse vazio não é apenas um hábito descuidado — é uma brecha que compromete a saúde de quem deixa de se vacinar e de quem convive com essa pessoa.

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"Quando a pessoa deixa de se vacinar, ela não está simplesmente recusando a injeção, ela tá abrindo mão de uma das estratégias mais eficazes que a medicina desenvolveu para prevenir doenças graves até o momento", declarou o especialista em entrevista ao portal CadaMinuto, de Alagoas.

O cenário descrito pelo médico não é exclusividade do Nordeste. No Brasil inteiro, os dados mostram que o país não conseguiu atingir a meta mínima de cobertura vacinal para a maioria das vacinas do calendário nacional em 2025, sendo que apenas dois imunizantes alcançaram o percentual de 95%, índice considerado essencial para garantir proteção coletiva. Esses dois imunizantes foram a BCG, com 96,8% de cobertura, e a hepatite B neonatal, com 95,1%.

Segundo o Dr. Renato, não existe um único perfil de quem abandona a vacinação na vida adulta. O adulto jovem costuma negligenciar por acreditar que é saudável e que doenças infecciosas não representam risco para ele. Já muitos idosos deixam de se vacinar por dificuldade de acesso ou por acreditarem que determinadas vacinas são apenas para crianças. Para o médico, o ponto em comum entre esses dois grupos é que ambos "frequentemente subestimam o benefício da prevenção".

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A decisão individual, no entanto, tem efeitos coletivos. Especialistas reforçam que a vacinação de adultos "não protege apenas o indivíduo, mas garante uma imunidade coletiva, dificultando a introdução de vírus e/ou bactérias na comunidade". Na prática, isso significa que crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas ficam mais expostos quando quem está ao redor não mantém o cartão de vacinas em dia.

O risco de retorno de doenças que já foram controladas também preocupa. Em 2025, os Estados Unidos registraram 2.144 casos de sarampo, com transmissão ainda ativa, e o Canadá acumulou 5.062 registros no mesmo período, perdendo o status de país livre da doença. O imunologista alerta que surtos assim não são hipótese teórica: quando a cobertura vacinal cai, criam-se bolsões de pessoas suscetíveis que abrem espaço para a reintrodução de enfermidades que estavam há décadas sob controle.

Na Bahia, a situação também exige atenção. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) ampliou recentemente a vacinação contra a influenza para toda a população acima dos seis meses de idade nos 417 municípios baianos, com o objetivo de elevar os índices de cobertura e garantir proteção coletiva. Mesmo assim, dados do painel de vacinação do Ministério da Saúde indicam que apenas 35% do público prioritário tomou a dose da vacina contra influenza em 2026.

Para quem perdeu o cartão de vacinação e evita ir ao posto por vergonha, o Dr. Praxedes tem um recado direto: não é preciso recomeçar tudo do zero. O ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação individual. Doses já realizadas e documentadas continuam válidas, e a equipe de saúde pode indicar quais imunizantes precisam ser atualizados. "O mais importante é não deixar de procurar orientação por receio de ter perdido o cartão", orienta o médico.

A nova Caderneta de Vacinação 2026, atualizada pelo Ministério da Saúde, passa a destacar de forma mais clara que a vacinação não termina na infância, incentivando a atualização contínua do cartão em todas as fases da vida. O recado vale para os moradores da região do São Francisco e de todo o país: checar o cartão de vacinas é um gesto simples que pode evitar tragédias — pessoais e coletivas.

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