Uma família de Feira de Santana enfrentou uma situação de angústia e indignação na manhã desta segunda-feira, 13, ao descobrir que o hospital havia entregue o corpo de sua parente para pessoas erradas. Familiares de Dália Ventim Costa, de 79 anos, denunciaram que o corpo foi trocado dentro do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) e entregue a uma família de outro estado.
Dália era moradora da Rua Landulfo Alves, no bairro Sobradinho, e faleceu por volta das 23h30 de domingo, após cerca de 45 dias internada no HGCA devido a complicações de um infarto, que evoluíram para uma infecção generalizada.
A família relatou que recebeu uma mensagem do hospital pedindo para levar a documentação da idosa. Ao chegarem, foram informados do falecimento, mas disseram que o corpo não poderia ser liberado naquele momento nem durante a madrugada — só às 5h da manhã. Quando o filho retornou ao hospital no horário combinado, não conseguiu ter acesso ao corpo. Só então a família foi informada de que a própria orientação de aguardar até as 5h havia sido um erro — que o corpo poderia ter sido liberado durante a madrugada.
De acordo com informações preliminares obtidas pela família, a confusão teria ocorrido no momento do reconhecimento: uma parente de outra paciente que também havia falecido no hospital teria identificado o corpo de Dona Dália como se fosse o de sua própria mãe. A suspeita é de que o corpo tenha sido levado para outro estado. Segundo informações da fonte original, a outra família seria procedente de Aracaju, em Sergipe.
A neta de Dália questionou o procedimento: "Foi um erro grave, porque por mais que tivesse sido reconhecido equivocadamente por outra família, ainda assim tinha que ter lá os dados do paciente. Como é que reconheço um corpo e levo sem checar dados, sem checar nada?"
O filho Silvio Charles Costa também falou sobre o impacto emocional do episódio. "Meu amigo, [estamos] abalados. A gente nunca pensou em passar por uma situação dessas. Já tem a dor da perda e agora, quando chega, outro choque. Está todo mundo transtornado. Abalado mesmo", lamentou.
O corpo de Dália chegou de volta a Feira de Santana após o meio-dia desta segunda-feira, 13. Horas mais tarde, ela foi sepultada no Cemitério São Jorge, na cidade.
Em nota oficial, o hospital reconheceu a falha. O HGCA disse que "lamenta profundamente o ocorrido durante o processo de liberação de corpos" e reconhece "a gravidade da situação", informando que todas as providências necessárias estão sendo adotadas para minimizar o sofrimento dos familiares. Para apurar o erro e identificar falhas no processo de liberação, a unidade instaurou uma sindicância interna e garantiu que adotará as medidas administrativas cabíveis para evitar novos episódios.
A direção do HGCA afirmou ainda que mantém contato direto e oferece acolhimento às famílias afetadas, prestando o suporte necessário para acelerar os sepultamentos das duas pacientes envolvidas.
O Hospital Geral Clériston Andrade é considerado o maior hospital público do interior da Bahia, pactuado com 160 municípios e com cobertura para uma população estimada em 4 milhões de pessoas. A dimensão e o fluxo de pacientes do hospital tornam ainda mais grave qualquer falha nos procedimentos de identificação e liberação de corpos.






