Uma jovem de 18 anos identificada como Laila Kamyle morreu no sábado, 20 de junho, após complicações decorrentes de uma cesariana realizada no Hospital da Mulher de Alagoas, no bairro do Poço, em Maceió. A família registrou boletim de ocorrência em uma delegacia da capital e denuncia que houve negligência no atendimento — versão contestada pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).
Segundo relatos dos parentes à TV Pajuçara/RECORD, Laila deu entrada três vezes em unidades de saúde antes do parto. Após a cesárea, ela teria desenvolvido hemorragia e, de acordo com o boletim de ocorrência, o atendimento teria ocorrido na própria enfermaria, com exposição a outros pacientes e acompanhantes, e não em um centro cirúrgico. A família afirma possuir imagens do procedimento e questiona a condução do caso.
A tia da jovem, Kátia, declarou à emissora que a exposição da paciente em ambiente inadequado teria agravado o quadro clínico. Ela relatou que Laila desenvolveu uma infecção no útero que se espalhou pelo organismo. Para controlar o quadro, a jovem foi submetida à retirada do útero e internada em UTI, mas não resistiu.
O bebê, identificado como Ravi, sobreviveu, mas permanece internado. Segundo a nota oficial do hospital, ele nasceu com diagnóstico de citomegalovírus, doença causadora da herpes, e segue em tratamento na unidade.
Em nota de esclarecimento, a direção do Hospital da Mulher de Alagoas negou qualquer negligência. A unidade informou que Laila chegou no dia 11 de junho para avaliação obstétrica, foi submetida à cesariana no mesmo dia e recebeu alta em 15 de junho, após a equipe tratar a hemorragia conforme os protocolos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). De acordo com a nota, a jovem retornou a uma unidade de saúde municipal já com sinais de gravidade — taquicardia e hipotensão — e foi transferida ao Hospital da Mulher em quadro de choque séptico. Após cirurgia e internação em UTI, faleceu quatro dias depois.
O caso se soma a um cenário preocupante no Brasil. Entre as principais causas de morte materna no país estão as hemorragias e as infecções puerperais. A morte materna obstétrica direta é responsável pela manutenção da razão de mortalidade materna em níveis elevados no Brasil, e estudos nacionais destacam que grande parte dessas mortes poderia ser evitada se a assistência ao parto e ao puerpério fosse adequada.
Alagoas já registrou casos semelhantes. O inquérito que investigou a morte da gestante Cíntia Soares Farias, de 25 anos, foi concluído com o indiciamento de dois médicos plantonistas por homicídio culposo, acusados de negligência no atendimento pós-parto em Arapiraca. Submetida a uma cesariana, a paciente saiu do centro cirúrgico com hemorragia pós-parto e não recebeu atendimento adequado a tempo.
No caso de Laila Kamyle, a família pede investigação rigorosa e questiona as condições em que o atendimento foi prestado. O hospital informou que o prontuário médico pode ser solicitado por um parente de primeiro grau diretamente na recepção da unidade, no prazo de até 30 dias. Até o momento, não há informação sobre abertura de sindicância ou investigação policial formal em curso sobre o caso.







