Pesquisadores da Universidade de Illinois descobriram que moléculas liberadas durante o exercício físico, conhecidas como vesículas extracelulares (VEs), podem promover a formação de novos neurônios em animais sedentários, mesmo sem que estes realizem atividade física. O estudo, publicado na revista Brain Research, sugere que os benefícios cerebrais da atividade física podem ser transferidos via sangue.
No experimento, camundongos foram divididos em dois grupos: um teve acesso à roda de exercício por quatro semanas, enquanto o outro ficou sedentário. Após esse período, o sangue dos animais foi coletado e analisado, resultando na separação de VEs de camundongos ativos (ExerVs) e sedentários (SedVs).
Uma nova leva de camundongos sedentários recebeu injeções de ExerVs, SedVs ou um placebo. Os resultados foram surpreendentes: os camundongos que receberam ExerVs apresentaram um aumento significativo na produção de novos neurônios, com impressionantes 89,4% desses se transformando efetivamente em neurônios. Comparados aos grupos controle, a produção de neurônios recém-formados foi cerca de 50% maior.
Os pesquisadores realizaram a repetição dos testes em outra população de camundongos, reforçando a consistência dos achados. Embora a neurogênese tenha sido incrementada, a estrutura do hipocampo permaneceu estável, sugerindo um equilíbrio entre a formação e a perda de neurônios.
Ainda não está claro se o aumento da neurogênese se traduz em melhorias cognitivas, mas os cientistas vislumbram um promissor potencial terapêutico. Se esses efeitos forem confirmados em humanos, as VEs impulsionadas pelo exercício poderiam beneficiar pessoas com mobilidade limitada ou doenças neurológicas. Os próximos passos da pesquisa incluirão investigações sobre o impacto dessas moléculas em memória, aprendizado e em condições como TEPT, depressão e Alzheimer.







