A empresa White Martins, líder no mercado de gases medicinais no Brasil, comunicou que dará início nesta sexta-feira (3) à desmobilização do fornecimento de oxigênio e outros gases medicinais à Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). A decisão foi autorizada pela 16ª Vara Cível da Capital e ocorre no contexto de uma dívida que, segundo a companhia, supera R$ 9 milhões — acumulada ao longo de mais de três anos sem pagamento.
De acordo com informações divulgadas pela empresa, mesmo diante da inadimplência prolongada, o fornecimento foi mantido normalmente durante todo esse período, com o objetivo de não prejudicar o atendimento aos pacientes da rede pública estadual. A White Martins afirma ter elaborado um plano de transição para o novo fornecedor, contratado pela Sesau por meio de licitação realizada em dezembro de 2025.
A companhia alega que enviou mais de 30 notificações à Secretaria cobrando a regularização dos débitos, sem obter nenhuma resposta. Também teria solicitado reuniões com o secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes, e sua equipe. Em 25 de junho, a empresa protocolou um pedido de audiência de urgência com o governador Paulo Dantas para discutir o cronograma de transição — pedido que, segundo a White Martins, não foi atendido.
Segundo a empresa, além das tentativas extrajudiciais frustradas, também não foram cumpridos acordos firmados na Justiça, entre eles um plano de regularização da dívida e a formalização de um contrato emergencial. A situação não é inédita em Alagoas: em dezembro de 2024, a mesma empresa já havia ameaçado suspender o fornecimento de oxigênio à rede estadual em razão de uma dívida que, naquele momento, estava na casa de R$ 3,1 milhões — o que indica que o débito continuou crescendo sem quitação.
A White Martins atua em todas as regiões do Brasil há mais de 110 anos e representa na América do Sul a Linde, maior empresa de gases industriais e engenharia do mundo presente em mais de 80 países. A empresa atua fortemente na área da saúde por meio do fornecimento de gases medicinais e de equipamentos médico-hospitalares.
Em nota, a Sesau afirmou que não há risco de desabastecimento nas unidades da rede pública estadual. A secretaria informou que hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) contam com usinas e sistemas de recarga próprios, capazes de garantir o fornecimento de oxigênio e demais gases com "ampla folga técnica". A pasta também disse que os valores em disputa estão sendo discutidos na esfera judicial e que o caso segue em processo de resolução.
A divergência entre as versões — empresa anunciando ruptura por inadimplência e governo garantindo normalidade no abastecimento — deixa pacientes, profissionais de saúde e gestores hospitalares em estado de alerta. O desfecho depende agora tanto da efetivação da transição para o novo fornecedor licitado quanto do andamento das negociações judiciais em curso.







